terça-feira, 18 de outubro de 2016

A insuficiência dos conhecimentos científicos na vida espiritual, segundo Ancião Sofrônio

Para as pessoas espirituais que esforçam-se para adquirir e conservar o conhecimento de Deus, compreendido como a entrada na energia da eternidade divina, a aprendizagem intelectual-científica é insuficiente, não importa o quanto aparentemente irrefutável e empírico seja seu caráter. A ciência humana fornece os meios para expressar a experiência do conhecimento existencial, mas é incapaz de transmitir esse conhecimento de maneira autêntica, sem a co-ação da graça. Se assim não fosse, então nossas 'ascensões' para as esferas da existência Divina - da Verdade - dependeria da educação secular e da capacidade intelectual, o que não é o caso. Neste ponto, torna-se claro o que o Ancião Sofrônio está em acordo com o pensamento Ortodoxo Patrístico atual, que rejeita a possibilidade que o Ser Divino seja compreendido através de categorias de lógica.

O Ancião, no entanto, aceita a possibilidade de detectar o caráter inconcebível da divindade através do processo natural da reflexão filosófica. O intelecto, assim, alcança o estado onde ele caí 'no silêncio'. Isso, no entanto, é muito inferior ao conhecimento verdadeiro de Deus. Esse processo pode ser encontrado nos livros ascéticos dos místicos católicos romanos. Apesar de não subestimar ou rejeitar de antemão, o Ancião Sofrônio não classifica-o entre os mais altos graus do Espírito, onde o intelecto não é silencioso, mas é preenchido com a iluminação das Energias Divinas e participa na vida de Deus. O 'silêncio do intelecto', que é encontrado como 'escuridão' e 'noite', demonstra que o intelecto pode ter uma contemplação autêntica, mas nunca se estiver separado do coração, que é o centro da pessoa humana.

Quanto ao envolvimento da ciência sobre conhecimento existencial de Deus, a visão do Ancião sobre o uso da psicanálise como uma interpretação de experiências a partir de cima é incisiva. A psicanálise científica tenta persuadir-nos a não dar crédito às nossas experiências. Mas quando estamos falando de uma manifestação pessoal de Deus a uma pessoa, onde não pode haver qualquer dúvida sobre a manifestação, porque Ele é o Verdadeiro Princípio de tudo aquilo que existe, então qualquer tentativa de psicanálise é equivocada, uma vez que, quando Deus age, a ciência é inútil. A psicanálise coloca a relação empírica entre as pessoas e Deus no nível da imaginação. Isto simplesmente não é verdade, devido ao fato de que conhecimento empírico de Deus, que é chamado de "contemplação" no pensamento patrístico, vai muito além das possibilidades da imaginação humana.  

O Ancião chega à mesma conclusão quando ele lida com o temor Divino. O temor de Deus como consequência da iluminação espiritual não tem nada em comum com o instinto animal correspondente. Portanto, a sua natureza está além do domínio da psicologia.

Os trechos são de livro Nikolaos Koios 'Θεολογία και Εμπειρία κατά τον Γέροντα Σωφρόνιο, H.G.M. de Vatopaidi, a Montanha Santa, 2007.


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