domingo, 14 de maio de 2017

As Aparições de Fátima e o Cristianismo Ortodoxo

Interesse ortodoxo 

De acordo com as afirmações católicas romanas, entre maio e outubro de 1917, a Mãe de Deus apareceu seis vezes a três crianças - Lucia, Jacinta e Francisco - na aldeia portuguesa de Fátima. As aparições iniciais atraíram pouca ou nenhuma atenção, mas nas últimas aparições estavam presente por volta de 50.000 pessoas; muitas pessoas afirmaram ver o sol dançar no céu, mas em nenhum momento ninguém, a não ser as três crianças, viu a pessoa que estava aparecendo. Ao longo dos anos, muitos cristãos ortodoxos têm manifestado interesse nesses eventos, principalmente por causa das previsões sobre a conversão da Rússia que foram feitas em uma das aparições. Parece muito significativo que uma aparente manifestação da Theotokos tenha ocorrido ao mesmo tempo que a Revolução Bolchevique na Rússia; os ortodoxos esperariam que a Theotokos indicaria alguma maneira pela qual a Rússia poderia ser libertada da dominação comunista. Assim, Tatiana Goricheva, uma conhecida dissidente ortodoxa russa e exilada da União Soviética, conta como teve conhecimento sobre Fátima e como deveria ser cumpridas as instruções da Theotokos em Fátima para a conversão da Rússia [1]. Consulte a nota referenciada para seu relato. No entanto, quando se analisa em detalhe os acontecimentos de Fátima, verifica-se que não se referem sobretudo à Rússia; em vez disso, apresentaram ou reafirmaram uma série de doutrinas claramente católicas. É preciso considerar esses ensinamentos como um todo a fim de determinar como um cristão ortodoxo deve enxergar todo o evento. Note-se que há um número surpreendente de discrepâncias nos relatos das conversas entre as crianças e a aparição, levantando a possibilidade de alguma corrupção posterior ou alterações nos textos. A maior parte do texto utilizado neste artigo é aquele apresentado pela Irmã Lúcia, uma das três crianças, em suas memórias.

Quem realmente apareceu? 

Primeiramente, ninguém sabe quem apareceu em Fátima. Na primeira vez, a aparição não fez qualquer pretensão de ser a Theotokos. Jacinta a identificou primeiramente como a Virgem Maria, mas Lucia, no primeiro momento, teve dúvidas sobre quem era a aparição [2]. Nas aparições posteriores, a aparição nem sempre afirmou especificamente ser a Mãe de Deus, mas antes falou de si mesma, de modo um tanto estranho, como sendo "Nossa Senhora do Rosário" e o "Coração Imaculado de Maria".[3] Na quinta vez, a aparição disse às crianças: "Em outubro virá Nosso Senhor, assim como Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmelo. São José aparecerá com o Menino Jesus para abençoar o mundo." [4] Isso soa estranho aos nossos ouvidos, já que quase parece implicar que essas "Senhoras" são pessoas diferentes. 

As três crianças e a aparição


O que foi ensinado 

As doutrinas apresentadas pela aparição são impressionantes, pois reforçam muitas das inovações mais incomuns e extremas do catolicismo romano recente. Incluem as seguintes:

 Devoção ao Imaculado Coração de Maria

O propósito principal da aparição era encorajar a devoção ao chamado Coração Imaculado de Maria. Na segunda aparição, foi dito: "Jesus deseja fazer uso de vocês para que me conheçam e me amem. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado ".[5] Essa prática devocional está relacionada ao culto do Sagrado Coração de Jesus. No século XII uma revolução ocorreu nas práticas devocionais da Igreja Católica Romana; esta revolução foi inspirada pela pregação de Bernard de Clairveaux e amplamente difundida por Francisco de Assis. Quando a atenção foi transferida da nossa redenção pela Ressurreição do Senhor para um foco na Paixão do Senhor, um elemento erótico foi introduzido no culto e na devoção privada. O Senhor passou a ser visto como um companheiro, amigo, ou mesmo marido / amante, como é refletido no imaginário do casamento que foi introduzido no monaquismo ocidental (ao fazer seus votos, as freiras passam por uma espécie de cerimônia de casamento, com vestidos de noiva, anéis de casamento, etc. e tem o Senhor como o noivo). Esta nova devoção enfatizou a união individual do adorador com o Amante Místico, concentrando-se na dor do sofrimento do Senhor e na tentativa de despertar emoções, focalizando Sua vida terrena. 

Entre as manifestações desta nova forma de adoração estão a Festa do Santo Nome, as devoções especiais às Cinco Chagas de Cristo, as Estações da Cruz, as meditações atribuídas às contas do Rosário, o "berço" de Natal  e a devoção ao "Menino Jesus" em geral, e o culto ao Sagrado Coração de Jesus [6]. Este último culto enfoca uma parte do corpo físico de nosso Senhor e efetivamente separa o culto da natureza humana de Cristo de Sua Divina Natureza; por isso nunca encontrou nenhuma aceitação na Igreja Ortodoxa, que ensina seus filhos a adorar o Senhor em Sua unidade Divino-Humana, não em cada uma das naturezas separadamente. A ortodoxia também manteve uma abordagem devocional muito mais restrita e objetiva ao Senhor, evitando sensualidade, sentimentalismo e emocionalismo. Infelizmente, o modo como à doutrina católica romana de Maria se desenvolveu nos últimos séculos, tentou paralelizar cada atributo de Cristo com um em Maria, indo até ao extremo de chamá-la de "Co-Redentora" do mundo e sugerindo que ela participa do Sacerdócio de Cristo de alguma forma. A devoção ao Imaculado Coração de Maria é mais um exemplo desta tendência, paralela ao culto do Sagrado Coração de Jesus. Mas se o culto do Sagrado Coração está perigosamente sobrecarregado de emoção, sentimentalismo e sensualidade para que seja aceitável para a Ortodoxia, o que podemos dizer sobre uma extensão desse culto a Theotokos? O problema aqui é que o catolicismo romano perdeu o conceito ortodoxo da deificação de todos aqueles que participam da graça vivificante, santificadora e incriada de Deus. A Igreja Militante e a Igreja Triunfante - todos, de fato, que lutam na vida que está em Cristo - participam da obra redentora de Cristo. Eles são "uma geração escolhida, um reino sacerdotal, uma nação santa". 

Quando a doutrina ortodoxa da Igreja da graça, da salvação e da deificação for abandonada por uma que é carnal, errônea e distorcida, então, inevitavelmente, deslocações e aberrações teológicas aparecerão também em relação às doutrinas do sacerdócio e da redenção. Isto é especialmente evidente em relação à posição da Theotokos no catolicismo romano, onde seu culto começa claramente a beirar a Mariolatria. É ainda mais censurável quando partes específicas de Maria são selecionadas para uma devoção particular[7].

Na antiguidade, havia duas seitas heréticas, os Antidicomarianitas e os Collyridianos. A primeira se recusava a honrar a Theotokos em qualquer forma e negava sua virgindade perpétua, a segunda a fez igual a Deus. Sobre esta última, S. Epifânio de Chipre escreve que "certas mulheres fizeram pequenos pães e os ofereceram em nome (de Maria) em ritos religiosos realizados por mulheres... E em Sikima, os aldeões locais oferecem sacrifícios em nome da Donzela (Theotokos)". [8] A Igreja Ortodoxa se esforça sempre para preservar a verdade, não se desviando nem para a direita nem para a esquerda, mas andando pelo caminho reto e estreito que conduz ao Reino dos Céus. São Epifânio escreve que ambos os extremos refletidos nas doutrinas e práticas dessas duas seitas acima são "os ensinamentos dos demônios". "O dano", ele escreve, "que provém de ambas as heresias é o mesmo."

Podemos ver que, em relação a Theotokos, os protestantes tendem a refletir as opiniões dos antidicomarianistas, ao passo que os católicos romanos modernos, que em extremos pietistas promulgaram idéias como a de "Co-Redentora", se assemelham claramente aos collyridianos. A ortodoxia adere ao caminho do meio, venerando a Theotokos como a mais santa das criaturas de Deus e derramando amor por ela, mas não a desonrando ao exaltá-la falsamente a uma imaginada igualdade com seu Divino Filho. Ao honrar a sua pureza e santidade e ao imitá-la em nossas próprias vidas a sua total obediência a Deus, mostramos nossa verdadeira devoção a ela.

A tendência católica romana de tornar Maria igual ao Senhor manifesta-se na segunda aparição em Fátima, quando a aparição prometeu a salvação a todos os que praticarem a devoção ao Coração Imaculado. Dizia: "A todos os que abraçam (devoção ao meu Imaculado Coração), prometo a salvação e suas almas serão amadas por Deus como flores colocadas pelo caminho que vos conduzirá a Deus".[9]

Na terceira aparição, a aparição mostrou às crianças uma visão do inferno, e então disse: "Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus deseja estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração".[10] Nessa mesma aparição, as crianças foram informadas de que haveria paz se as pessoas fizessem o que a aparição comandava.

Uma das mais notáveis ​​declarações atribuídas à aparição é encontrada na primeira aparição. Há um desacordo nas fontes sobre a formulação da declaração, mas algumas versões dizem que as pessoas devem sofrer como um meio de repagar o Coração Imaculado de Maria por seus pecados e ofensas. Conforme apresentado nestas fontes, na primeira aparição, a aparição disse: "Vocês sofrerão para obter a conversão dos pecadores, para reparar as blasfêmias, assim como todas as ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria?"[11] Na terceira Aparição, aquela em que é mencionada a conversão da Rússia, a aparição diz às crianças: "Sacrificai-vos pelos pecadores e dizeis muitas vezes, especialmente quando fazes algum sacrifício: ó Jesus, é por amor de vós, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".[12]

Mas nossos pecados não são cometidos contra a Theotokos, ou seu coração; eles estão cometidos contra Deus, e é a Ele que devemos pedir perdão. É diante Dele que devemos nos arrepender. Certamente, a Theotokos sofre quando ela contempla nosso pecado e desobediência. Na realidade, não só a Theotokos, mas todos os santos - de fato, toda a criação - "gemem e trabalham" por causa dos pecados da humanidade. Como disse o filho pródigo: "Pai, pequei contra o céu e diante de ti". Mas, em última instância, Deus é quem tem autoridade para perdoar nossos pecados. Pois "quem pode perdoar pecados, exceto Deus?" (Mc 2,7).

Dizer, portanto, que devemos "reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria" coloca-a literalmente no lugar de Deus, que é repetir a blasfêmia de Satanás que quer que adoremos a criação, ao invés do Criador. Além disso, nesses casos, a aparição está falando na linguagem dos escolásticos medievais tardios, não com a voz das Escrituras e dos Padres da Igreja. O perdão dos pecados e a restauração da filiação que a humanidade recebeu através da Paixão voluntária, Crucificação e Ressurreição de Cristo não são fruto de um ato legalista exigido por alguma justiça Divina; ao contrário, são um dom dado livremente como resultado do ato supremo de amor livremente escolhido por Deus para nos redimir.

Não há reparação, nenhuma satisfação - não há nada que possamos fazer nós mesmos para merecê-lo. É por isso que Nosso Senhor Jesus Cristo se tornou homem, sofreu, morreu e ressuscitou - para derrubar o muro entre nós e Deus. Nada que fazemos, nenhum sofrimento nosso pode substituir o que Ele fez por nós. É precisamente por isso que, na Divina Liturgia, o sacerdote exclama: "Aquilo que é Teu, recebendo-o de Ti, nós te oferecemos por todos e por tudo."

O Rosário

Na sexta aparição a aparição chama-se "Senhora do Rosário". Um dos métodos recomendados repetidamente pela aparição para obter a paz mundial é o uso diário do Rosário. Agora, o Rosário é uma devoção distintamente católica romana, que é estranha à piedade ortodoxa. O Rosário consiste de quinze "mistérios", ou  tópicos para meditação, p. a Anunciação, a Crucificação, a Coroação de Maria como Rainha do Céu, etc.; enquanto recita-se a Ave Maria dez vezes para cada mistério, deve-se tentar visualizar o evento comemorado nesse mistério.

Como acontece com muitos métodos cristãos ocidentais de meditação, essa abordagem encoraja o uso ativo da imaginação, algo que os Santos Padres nos ensinam que é uma fonte perigosa de erros e enganos: quando começamos a imaginar os eventos na vida de nosso Senhor, inevitavelmente os revestimos em nossos próprios termos e os apresentamos de uma maneira que seja agradável a nós mesmos; assim nos tornamos a medida dos acontecimentos em Sua vida e deixamos de lado facilmente aqueles aspectos com os quais não nos sentimos confortáveis.

Os Santos Padres nos ensinam, ao contrário, a sempre sermos cautelosos com a imaginação, a aprender a controlá-la, não a desenvolvê-la. Além disso, o uso da imaginação ao recitar as palavras da Ave Maria significa que não se está atendendo às palavras da oração. Em vez de auxiliar a concentrar-se nas palavras dirigidas a Deus e aos santos na oração, esse método de fato estimula a distração e os pensamentos errantes, ocultando-os sob a aparência de "meditações" sobre os acontecimentos da história sagrada, aqueles imaginados pela pessoa que ora. Assim, o Rosário Católico Romano é muito diferente no que diz respeito ao uso e a intenção comparado a cordão-de-oração Ortodoxo de onde se desenvolveu, cujo propósito é ajudar a pessoa orando a se concentrar mais intensamente sobre as palavras de sua oração e impedir seus pensamentos de vagar. O Rosário é, obviamente, uma prática devocional inaceitável, e os cristãos ortodoxos devem estar atentos a uma aparição que o ensina e incentiva.

Purgatório

Em suas aparições, também se ensinou doutrinas relacionadas com a vida após a morte que não são aceitáveis ​​para o Cristianismo Ortodoxo. Várias vezes se referia ao Purgatório, o estado intermediário de sofrimento limitado entre o Céu e o Inferno, e disse que uma pessoa sobre quem as crianças perguntaram estaria no Purgatório até o fim do mundo. A ortodoxia rejeita completamente qualquer estado intermediário, já que a doutrina do Purgatório não aparece em parte alguma na tradição apostólica e, de fato, nega a plena eficácia do dom gratuito da graça e da adoção que Cristo nos ofereceu através de Sua Encarnação, morte e ressurreição.

De acordo com o ensino católico romano, os homens devem sofrer para pagar suas dívidas a Deus por pecados que foram perdoados por Ele, como se qualquer sofrimento que sofremos pudesse realmente tornar-se um pagamento, se fosse necessário, e como se o perdão de Deus fosse de alguma forma deficiente. A misericórdia e o perdão de Deus são ilimitados. Se o sofrimento é bom para nós, é exatamente no mesmo sentido que o treinamento é bom para os atletas, já que o jejum é bom para os obesos e gulosos, pois a auto-censura é boa para aqueles que são propensos à raiva. Deus não precisa dessas coisas, nós sim. Nem Ele exige este "pagamento", visto que Seu perdão e graça são livres - afinal, a própria palavra "graça" significa "dom gratuito".

Valor das Obras Humanas

A aparição também ensinou que o sofrimento de alguém nesta vida poderia obter a salvação para os outros. Na primeira aparição, perguntou às crianças se elas "suportariam todos os sofrimentos que (Deus) quer de vocês, como um ato de reparação pelos pecados pelos quais Ele é ofendido, e pela súplica pela conversão dos pecadores". Na quarta aparição, a aparição disse às crianças: "Orai, orai muito,  fazei sacrifícios pelos pecadores. Pois muitas almas vão para o inferno porque não há ninguém para fazer sacrifícios por elas".[14]

Desta forma, também, a oferta de nosso Senhor para nós é denegrida pela idéia de que nosso sofrimento de alguma forma fornece aos outros o que está faltando em Sua oferta de Si mesmo. Este é um engano blasfemo, mostrando orgulho satânico em pensar que podemos salvar outros por nossas orações e sofrimento, colocando-nos assim no lugar de Cristo. São Pedro de Damasco expressa a compreensão ortodoxa quando diz: "Não ousamos suplicar em nome de todos, mas somente por nossos próprios pecados".[15] Na melhor das hipóteses, podemos suplicar a graça de Deus para que respondam com arrependimento.

A conversão da Rússia

O tema da conversão da Rússia suscita o maior interesse em Fátima entre os cristãos ortodoxos, mas é também um tema muitas vezes incompreendido. Freqüentemente se supõe que esta mensagem foi à única dada em Fátima, ou pelo menos a mais importante; na verdade, é parte de uma das seis aparições, e é apresentada não por causa da Rússia, mas para reforçar uma série de dogmas católicos romanos. Além disso, os primeiros relatos de Fátima afirmam apenas que a aparição disse às pessoas que orassem pela conversão do mundo.

Lucia teve uma visão em 1927 em que foi dita que pedisse pela consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria. Em outra visão, em 1929, foi-lhe dito que revelasse o primeiro segredo, supostamente dado a ela em 1917, que era que as pessoas orassem pela conversão especificamente da Rússia.[16] Normalmente, presume-se que a aparição estava falando da conversão da Rússia à fé católica romana.

Um comentarista sobre este assunto diz que, ao falar de um estado, não se pode pensar nisso como fosse uma determinada igreja; em vez disso, ele acha que "conversão" aqui significa que o Estado soviético vai parar de combater a religião. Ele pergunta se o termo poderia se referir ao "retorno da dissidente 'Igreja Russa' à União Católica" e responde que, em sua opinião, isso "não pode ser deduzido com necessidade lógica do texto da Mensagem".[17] De qualquer maneira, na compreensão da grande maioria dos católicos romanos, a mensagem de Fátima não significa nada além da conversão da Rússia ao catolicismo romano. Esta é precisamente a interpretação que foi ensinada nas escolas paroquiais. Mesmo admitindo que a mensagem de Fátima não implica necessariamente a conversão da Rússia ao Catolicismo Romano, ainda temos que perguntar quais os meios propostos pela aparição para a conversão da Rússia do ateísmo à crença em Deus.

Dois requisitos básicos são apresentados pela aparição no relatório da terceira aparição: "Eu virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração, e a Comunhão de Reparação no Primeiro Sábado. Se os meus pedidos forem atendidos, a Rússia se converterá... O Santo Padre consagrará a Rússia a mim e ela se converterá ... "[18] Assim, as duas condições necessárias para a conversão da Rússia são que o Papa consagre a Rússia à Imaculado Coração de Maria e que os católicos de todo o mundo façam as comunhões do Primeiro Sábado. Obviamente, nenhuma dessas condições são de forma alguma aceitável para os cristãos ortodoxos, mas, para tornar isso mais claro, vamos examinar mais detalhadamente as implicações de ambas.

Reivindicações Papais - Novamente!

O Papa, o Bispo de Roma, afirma ser o chefe de todos os bispos da Igreja Cristã, mas suas reivindicações vão muito além disso. Considera-se também que ele também possui jurisdição sobre todos os outros bispos, de ser o representante especial de Cristo na terra tanto em assuntos religiosos e temporais, e de ter a garantia de não errar quando faz pronunciamentos formais sobre questões de fé ou moral. As declarações dos próprios papas tornam isso muito claro. Enquanto os ortodoxos estariam dispostos a reconhecer o Papa como "primeiro entre iguais" entre todos os bispos do mundo em um contexto ortodoxo, eles rejeitam o resto de suas reivindicações. A aparição exigia que fosse ele que consagrasse a Rússia ao Imaculado Coração de Maria, aceitando assim implicitamente suas pretensões de ser o chefe supremo da Igreja Cristã.
Primeiros Sábados

O significado completo da Comunhão de Reparação dos Primeiros Sábados não é claro nas manifestações de Fátima, mas a Irmã Lúcia, a única das crianças a sobreviver até a idade adulta, afirmou ter recebido uma revelação especial em 1925 que forneceu mais informações sobre os Primeiros Sábados. Na verdade, ela não só recebeu muitas revelações posteriores, mas também houve várias manifestações anteriores a ela e para um grupo de crianças em 1915 e 1916. Nessa época eles viram um anjo, às vezes chamado de Anjo da Paz ou o Anjo de Portugal, e receberam um comunhão dele certa vez.[19]

Por ocasião da revelação em 1925, foi dada a chamada "Grande Promessa"; esta promessa diz: "Prometo ajudar na hora da morte com as graças necessárias para a salvação todos aqueles que, no primeiro sábado de cinco meses consecutivos, vão à confissão, recebem a Sagrada Comunhão, digam o Rosário e me façam companhia Quinze minutos enquanto meditam nos quinze mistérios do Rosário, com o objetivo de fazer uma reparação para mim".[20] Esta promessa esclarece a Comunhão de Reparação dos Primeiros Sábados que foi mencionada na terceira aparição em julho de 1917.

Em primeiro lugar, esta recepção da comunhão nas igrejas católicas romanas é uma das duas condições para a conversão da Rússia; mas isso é obviamente inaceitável para os cristãos ortodoxos. Além disso, a idéia de que a Theotokos poderia conceder  na morte de alguém "todas as graças necessárias para a salvação" implica um ensino que é completamente estranho e contrário à Ortodoxia. A visão da graça apresentada aqui é aquela muito materialista associada às indulgências, como se a graça fosse uma mercadoria que pudesse ser armazenada e distribuída; mas a graça é a energia incriada de Deus em ação no mundo, não algo que possa ser entregue pelos santos em troca de nossas boas obras.

Nosso chamado como cristãos é seguir nosso Senhor Jesus Cristo em obediência a Deus em cada aspecto e momento de nossas vidas; que a obediência, possível somente com a graça que vem da nova vida em Cristo que recebemos no Batismo, nos leva a uma nova relação com Deus. Pensar que se é possível comprar a salvação realizando alguns atos piedosos em cinco sábados consecutivos banaliza toda a vida cristã e ridiculariza a vida, morte e ressurreição de nosso Senhor.

De fato, os Primeiros Sábados são outro exemplo do paralelismo entre o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus. No século XVII, Margaret-Mary Alacoque recebeu esta promessa sobre o Sagrado Coração de Jesus por uma revelação especial: "Na grandeza da misericórdia de meu Coração, todo seu poderoso amor dará a todos aqueles que receberem a Comunhão na primeira sexta-feira de cada mês por nove meses consecutivos, a graça do pleno arrependimento de que eles não morrerão sob o meu desagrado nem sem receberem os sacramentos, e que meu Coração será seu refúgio seguro naquela última hora".[21]

Então, o que foi Fátima?

Tendo considerado os acontecimentos em Fátima e as doutrinas que apresentam a partir de um ponto de vista ortodoxo cristão, devemos agora pensar sobre o significado por trás deles. Desde o início, a Igreja Cristã tem sido combatida pelo espírito do Anticristo, que tem tentado distorcer a nossa compreensão de Deus e Seu Filho para que deixássemos a verdadeira adoração e caíssemos em ilusão satânica. Seus caminhos foram variados, mas todos tiveram o objetivo de distrair os homens de Deus. As doutrinas apresentadas em Fátima foram rejeitadas pela Igreja Ortodoxa como perversões da Fé levando à idolatria e para uma atitude carnal em relação à vida cristã e à salvação.

Fátima é, na verdade, uma parte de uma sequência de revelações e aparições especiais nos últimos 150 anos que tendem a reforçar um conjunto de doutrinas que a Igreja Ortodoxa sempre opôs como distorcida e, em alguns casos, que tendem a exaltar a Theotokos em uma igualdade quase-idólotra a Deus. Essas incluem:

Catherine Laboure. Em 1830 ela recebeu um padrão para a chamada Medalha Milagrosa por revelação especial. Esta medalha inclui o apoio à doutrina da Imaculada Conceição de Maria e de seu Coração Imaculado.
A visão em LaSalette, em 1846, quando Maria supostamente apareceu a dois filhos, um menino de 11 e uma menina de 15, e os advertiu que ela quase não era capaz de conter a ira de Cristo de punir a França severamente.
Bernadette Soubirous. Em 1858, as visões em Lourdes promoveram a Imaculada Conceição de Maria. Bernadette tinha 14 anos naquela época. 
Pontmain. Em 1871 Maria supostamente apareceu para quatro crianças de 10 a 12 anos de idade.
Beauraing. Em 1932-33 visões afirmaram a Imaculada Conceição de Maria a cinco crianças de 9, 11, 13, 14 e 15 anos de idade.
Banneaux. Em 1933 uma menina de 12 anos de idade tinha visões semelhantes de Maria.
Medjugorje. Desde 1981 até o presente momento, seis crianças, inicialmente entre 11 e 17 anos de idade, tiveram visões diárias de Maria. Essas visões ensinaram o uso do Rosário, a existência do Purgatório e encorajam o ecumenismo ("... todas as fés são agradáveis ​​a Deus"). Deve-se notar que a hierarquia católica romana local desautorizou essas visões e as considera uma ilusão.

Uma observação interessante sobre todas essas visões, exceto a primeira, é que todas elas ocorreram com crianças em torno da idade da puberdade. Curiosamente, observa-se que os fenômenos poltergeist ocorrem mais comumente com crianças da mesma idade. Parece que há algo na vida espiritual das crianças, especialmente as meninas, em torno desta idade que as torna fáceis vítimas de ataque demoníaco e ilusão. Em 1987 uma estátua de plástico da Virgem Maria começou a exsudar óleo, mas apenas na presença de uma garota árabe de 10 anos. É claro que o fato de uma estátua estar envolvida torna isso falso e inaceitável para os cristãos ortodoxos, uma vez que somos proibidos de usar estátuas de qualquer forma.

O verdadeiro significado de Fátima

Para os cristãos ortodoxos Fátima foi um ataque particularmente poderoso a Igreja Ortodoxa, uma vez que introduziu o tema da conversão da Rússia, apelando assim a muitos cristãos ortodoxos russos, angustiados pela escravização de sua pátria. Mas é absolutamente impossível separar as "profecias" sobre a Rússia do contexto total das visões. O objetivo de Fátima era apresentar e reforçar várias doutrinas distintamente católicas romanas que são absolutamente estranhas à Igreja Ortodoxa.

Nos acontecimentos de Fátima vemos mais uma vez a manifestação de um erro profundo que se repetiu em grande parte da história cristã: a confusão das experiências "religiosas" com a Revelação Divina. Muitas visões e profecias ocorreram ao longo da história em todas as religiões; em alguns casos as profecias se tornaram realidade, as visões têm feito milagres e curas. Mas essas profecias e milagres não dão testemunho da verdade das doutrinas ensinadas nessas experiências, pois muitas vezes vêm da ação demoníaca. As Escrituras nos ensinam claramente que qualquer profecia ou visão deve ser avaliada com base na doutrina que ela ensina:
 
Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o SENHOR vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti. (Deut. 13:1-5)  

Devemos ser cautelosos com qualquer um que pretenda falar em nome de Deus, mesmo que seja um santo ou um anjo, como o apóstolo Paulo nos ensina:

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gálatas 1: 8-9)

Da mesma forma, os Santos Padres nos ensinam a desconfiar de todas as visões e milagres. Assim diz São Diocócio:

"Se a luz ou alguma forma ígnea for vista por alguém que está buscando o caminho espiritual, ele não deve, de maneira alguma, aceitar tal visão: é um óbvio engano do inimigo. Muitos de fato tiveram essa experiência e, em sua ignorância, se desviaram do caminho da verdade. Nós mesmos sabemos, no entanto, que, enquanto moramos neste corpo corruptível, "estamos ausentes do Senhor" (II Cor. 5: 6) - isto é, sabemos que não podemos ver visivelmente o próprio Deus ou qualquer de Suas maravilhas celestes."- Filocalia, Vol. 1, Londres, 1979, pp. 263-264.

São Pedro de Damasco amplifica ainda mais este ensinamento:

"Quando o diabo viu Cristo descendo em Sua extrema bondade aos santos mártires e os reverendo pais, aparecendo Ele mesmo ou através dos anjos ou em alguma outra forma inefável, ele passou a fabricar diversas ilusões para destruir as pessoas. É por isso que os pais, em discernimentos, escreveram que não devemos prestar atenção a tais manifestações diabólicas, quer venham através de imagens, luz, fogo, ou qualquer outra forma enganosa... Se aceitarmos tal desilusão, (o diabo) faz com que o intelecto, em sua total ignorância e presunção, represente várias formas ou cores para que nós pensemos que esta é uma manifestação de Deus ou de um anjo. Muitas vezes no sono, ou em nossos sentidos quando acordado, ele nos mostra demônios que aparentemente são derrotados. Em suma, ele faz tudo o que pode para nos destruir, fazendo-nos sucumbir a essas ilusões." - Filocalia, Vol. 3, p. 81.
Sempre que fazemos das "experiências religiosas" emocionais ou vários sinais e maravilhas o critério da nossa fé, abrimos assim as comportas a todo tipo de ilusão. Se este é o padrão de nossa fé, devemos reconhecer a validade de qualquer experiência da qual alguém ganha uma sensação "religiosa": a antiga prostituição ritual nos templos pagãos; o culto frenético de Baco; os dervixes e seguidores muçulmanos do Ayatollah Khomeini e seus sucessores. Não podemos mais distinguir entre a verdade de Deus e os erros do diabo. Mas, em verdade, todas as experiências religiosas devem ser testadas em concordância com a Fé Ortodoxa antes que elas possam ser aceitas como genuinamente de Deus. A Fé Ortodoxa é o critério objetivo que nos permite separar as verdadeiras experiências de Deus das ilusões do maligno. Todas as nossas experiências religiosas devem ser verificadas pela Fé; a Fé não é provada por elas.

NOTAS

1 “Os católicos haviam formado um pequeno seminário ecumênico em Leningrado ... De nossos amigos católicos aprendemos pela primeira vez sobre a aparição da Mãe de Deus em Fátima e o que ela havia dito sobre a Rússia". Talking About God Is Dangerous, New York, 1987, pp. 52-53. See also p. 103.
2 Carol, M.P., The Cult Of The Virgin Mary, Princeton, 1986, p. 177
3 Kondor, Louis, ed., Fatima in Lucia’s Own Words, Cambridge, Mass., 1963, p. 165
4 Ibid., p. 172. 
Na verdade, somente Lucia viu Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora do Carmo em outubro. As Crianças nem sempre viram as mesmas coisas ao mesmo tempo e Francisco muitas vezes não ouviu as palavras da aparição. Cf. Carroll, op. cit., p. 127.
5 Ibid., p. 163.
6 Ver Prestige, G.L., Fathers and Heretics, London, 1963, pp. 180-207 para uma discussão deste desenvolvimento.
7 Uma tendência semelhante à devoção direta a várias "partes" do Senhor Jesus Cristo, por exemplo, Sua alma, mãos, rosto, desenvolveu-se na primeira metade do século XX, mas foi verificada pela própria Roma como não saudável.
Cf. Prestige, op. Cit. P. 200.
8 Against the Antidicomarianites, Migne, PG 42, 736 B, CD.
Cf também São João de Damascus, On Heresies, New York, 1958, p. 131.
9 McGrath, Rt. Rev. William C., Fatima Or World Suicide, Scarboro, Ontario, Canada, 1950, p. 36.
10 Kondor, op. cit. p. 167.
11 Barthas, C.C., Our Lady of Light, p. 14.
12 Kondor, op. cit., p. 165.
13 Ibid., p. 161.
14 McGrath, op. cit. p. 136.
15 Philokalia, Vol. 3, London, 1984, p. 200.
16 Carroll, op. cit., p. 136.
17 Schweigel, G.M., Fatima e la Conversione Della Russia, Rom, 1957, p. 10.
18 Kondor, op. cit. p. 167.
19 Ibid., pp. 154-158.
20 McGrath, op. cit. pp. 90-91.
21 Attwater, D., A Catholic Dictionary, New York, 1941, p. 363.  

Texto original em http://www.orthodox.org/fatima.htm

Nota do blog: É comum ver Católicos Romanos utilizando parte da suposta mensagem que diz "a Rússia espalhará seus erros pelo mundo...” como uma forma de criticar não somente o comunismo (que, obviamente, é algo nefasto e corretamente criticado), mas também o Cristianismo Ortodoxo. Pois na cabeça deles - não de todos eles, claro - a Igreja Ortodoxa aparentemente faz parte dos supostos erros, pois, afirmam, ela é manipulada pelo governo russo (e consequentemente pela "KGB"). Além disso, estendem a crítica feita a uma igreja local Ortodoxa, a uma crítica à Igreja Ortodoxa como um todo (isto é, ignoram o fato de que a Igreja Ortodoxa é uma comunhão de igrejas locais, onde a igreja russa é apenas uma entre outras).

Deixo aqui os seguintes comentários:

[1] A primeira referência à Rússia é fornecida pela Irmã Lúcia em 1930. Antes disso - isto é, nas várias entrevistas e depoimentos iniciais - a Rússia não é mencionada nem pelas crianças nem pelos inúmeros depoimentos dos envolvidos. Somente nas memórias de Lucia, escritas na década de 1940, há a primeira referência de que a Rússia "espalhará seus erros pelo mundo" e a profecia sobre o início da Segunda Guerra Mundial aparece pela primeira vez. A irmã Lúcia revelou essas palavras da aparição somente depois que esses fatos ocorreram. (retirado do blog Catena Aurea)

[2] Comentário do Fábio L. Leite no facebook:

A primeira revolução genocida e assumidamente anti-cristã foi francesa. O cientificismo, materialista e matematicista, é anglo-americano e germânico. Marx era um alemão, com sua principal produção intelectual realizada na Inglaterra. Gramsci era italiano. George Soros é húngaro. A Escola de Frankfurt nasceu na Alemanha e criou raízes nos EUA. A Teologia da Libertação nasceu, frutificou e se espalhou para o mundo desde a América Latina. O globalismo e o projeto de uma nova ordem mundial são idéias nascidas na Europa Ocidental. O metacapitalismo começa no Império Britânico e nos EUA e se espalha desde lá. O próprio regime soviético só foi possível devido a farto apoio ocidental. E quase tudo isso sendo de alguma forma tributário de Kant (alemão), Nietzsche (alemão), Voltaire (francês), Descartes (francês) e tantos outros. Agora, você pode achar que tudo isso é a Rússia manipulando o mundo como um fantoche, assim como tem quem ache que sejam os judeus ou os "reptilianos", mas se não for, o que predomina no mundo? Essas coisas aí, ou uma hegemonia cultural russa? O que predomina no mundo são os erros da Rússia ou os da Europa Ocidental? (comentário do Fábio L. Leite no facebook)

[3] Comentário do Fábio L. Leite no facebook:

O mito da Igreja Russa como instrumento de propaganda do governo russo funciona assim:

(1) Você pesquisa e estuda as relações entre Igreja e Estado.
(2) Você descobre que basicamente em toda parte há mártires, místicos, fiéis, perseguidos, mornos, carreiristas e vendidos.
(3) Dentre os vendidos há os que o fazem por interesse pessoal ou por fé maior em algum ideal exterior à Igreja. Dentre os carreiristas há os que são agentes de si mesmo, e os que são agentes de governos.
(4) Em todas as outras igrejas você diz que os fiéis e místicos são seus representantes fiéis, e os carreiristas, especialmente se trabalham para governos, seus traidores. Para Igreja Russa você arbitrariamente diz o contrário: os carreiristas para o governo são os fiéis que definem a instituição, os outros são inocentes companheiros de estrada sendo usados.
(5) Igualmente você descobre que não há igrejas que não tenham passado por períodos longos de intervenção de governantes seculares. Inclusive Roma e mesmo depois das controvérsias de Investidura. Para todos você reconhece que as intervenções governamentais foram períodos de exceção e não representam a vida normal daquela igreja. Para a Igreja Russa, arbitrariamente, você diz que esses períodos é que são a Igreja Russa no seu modus operandi normal, e os demais apenas casos de exceção.

O que fazem com a Igreja Russa é precisamente a atitude mesquinha de olhar para uma pessoa de gênio e querer defini-la por seus defeitos. Oras, alguém já viu a KGB ou a CIA gerar santos? Se o fizeram foi apenas no papel de algozes perseguindo mártires.~

[4] Quando Roma ainda professava o catolicismo ortodoxo e era a sė primaz, vivia sob o Imperador cristão (inclusive quando ele era herege) sendo necessário inclusive que o imperador aprovasse o bispo de Roma até o século 8. Quando não estava nessa condição, estava sempre trabalhando com algum rei germânico e nos seus piores anos sob o domínio de famílias italianas (século X). A própria inserção do filioque no Credo romano oficialmente foi devido a pedido do imperador do Sacro Império em 1014. O protestantismo por sua vez nasce inteiro do oportunismo de nobres germânicos apoiando dissidentes de Roma para terem uma igreja pra chamarem de sua.

Como pode, em face de tais fatos, que ocidentais acreditem em "igreja estatal russa"? A igreja russa quando não esteve em frágil paz com o governo russo esteve sendo perseguida por ele! O mito do cesaropapismo russo não passa de wishful thinking ocidental.

5 comentários:

  1. Só vou dizer uma coisa. Comecei a querer estudar as aparições marianas de Fátima, Medjugorje, La sallete, Lourdes e Garabandal. Fui percebendo que várias profecias pareciam estar desencontradas e que tudo isso era um caminho seguro para se ficar maluco. Por anos rezei o Rosário todos os dias e não via nenhum progresso espiritual. Eis o que aconteceu comigo.

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    1. Ainda bem que saÍste deste prelest romanista irmã. Deus te salve!

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  2. Estou decepcionado! Estava afundado na ignorância da gravidade do desvio romano...mas (quase) tudo tem a sua correção!

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  3. Recentemente ouvi um relato de historiadores portugueses muito sérios que leram nas fontes primárias de Fátima, especificamente na primeira entrevista das crianças ao pároco local, que a aparição que foi vista não corresponde à atual estátua do santuário (cópia de um artista local de outra imagem católica mais antiga) nem à iconografia de Maria. A aparição tinha um metro e dez de altura, parecia uma menina entre 12 e 15 anos, usava uma saia que não chegava nos pés e não um vestido, usava um casaco tayer e meias, olhos negros e um véu ou algo que cobria as orelhas. A aparição andava ou flutuava sem mecher-se e falava sem mecher a boca.

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  4. As crianças e a mãe da Lúcia se referiam à aparição como "mulherzinha ou boneca" por ser de um metro e dez de estatura. A região tem um histórico anterior de aparições, por ter sido local de adoração pagã à deusas celtas, e também a presença de mouros fatimidas, uma ramo xia. Também possuí esta região um histórico de aparições de OVNIS. Trocando em miúdos, o "sol dançante" pode estar associado à presença de OVNIS e outras traquinagens dignas do maligno e seus satélites. Esta aparição tem muitos aspectos sinistros e mal explicados, o que remete mais a um engodo diabólico do que aparição divina.

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