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domingo, 15 de novembro de 2020

Sobre a Veneração dos Santos e Anjos (Ancião Cleopa)


Inquiridor: Por que razão nós Ortodoxos veneramos os anjos e os santos e os colocamos como intermediários diante de Deus para nossa salvação? Certas pessoas dizem que existe apenas um intercessor entre Deus e o homem, Jesus Cristo. O Apóstolo ensina o seguinte a respeito deste assunto: "Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem." (1 Timóteo 2:5) Consequentemente, nem os anjos, nem os santos, nem ninguém, exceto Cristo, é capaz de interceder junto a Deus em favor de nossa salvação.

Ancião Cleopa: É verdade que ninguém, exceto Cristo, é capaz de interceder diante do Pai, pois somente Ele apresenta a Si mesmo como um sacrifício para a salvação do mundo. Portanto, ninguém, exceto Cristo, é capaz de salvar o homem do pecado. No entanto, ao honrarmos os santos, não os colocamos no lugar de Cristo ou mesmo adjacente a Ele. Quando os santos oram por nós, é precisamente a nossa salvação que eles buscam vinda de Cristo. Eles intercedem junto dEle por nossa salvação; dEle, eles rogam por nossa salvação. É isto que queremos dizer quando dizemos que eles intercedem por nós. Por suas orações, os santos peticionam por nossa salvação - não, porém, como se eles próprios tivessem o poder de salvar, pois o único que salva é Cristo. Assim, nós não veneramos os santos e os anjos como fazemos com Deus. (O que prestamos aos santos e anjos é apenas uma veneração [προσκύνησις] de honra e reverência, ao passo que a Deus adoramos [λατρεία] com perfeita adoração [1]) Estimamos os santos de Deus porque eles são amigos e amados de Deus, como está escrito: "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." (João 15:14) Enquanto que em relação a Abraão também lemos: "Abraão creu em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus." (Tiago 2:23) O Apóstolo Paulo escreve para os Efésios: "Conseqüentemente, já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus." (Efésios 2:19) Assim, como amigos e amados de Deus, nós honramos os santos. Sabemos também que os santos têm a aclamação de Deus nos céus. (Lucas 20:36) De fato, eles julgarão o mundo. [1 Cor. 4:2, Mateus 19:23, Hebreus 12:22-23] Enquanto os santos ainda eram encontrados sobre a terra, eles tinham dons proféticos [1 Reis 14:1-17] (por exemplo, a profecia de Eliseu a Geazi [2 Reis 5: 25-27]). Da mesma forma, enquanto ainda estavam nesta vida, eles oravam a Deus pelo benefício dos homens, como Abraão, que orou a Deus por seu povo.

Inquiridor: Como é que os santos e os anjos são capazes de mediar junto a Deus em favor da salvação dos homens, já que devemos esperar nossa salvação de Cristo, que é o Salvador e mediador de nossa salvação? Assim está escrito: "E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." (Atos 4:12) Não há necessidade, portanto, de recorrer aos santos se quisermos herdar a salvação.

Ancião Cleopa: Pelo contrário, este trabalho dos santos é de grande importância. Eles têm a capacidade de orar diante de Deus em favor do homem e de sua salvação. Isto é esclarecido pela passagem do Livro do Apocalipse, que afirma: "E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos." (Apocalipse 5:8) 

Os santos oram pelos homens não só nos céus depois de seu repouso, mas também enquanto estão neste mundo, como indicamos anteriormente. Assim, Abraão orou por Abimeleque, Moisés por seu povo, e também o apóstolo Paulo por seus discípulos. Assim ele escreveu: "Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações; lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé... diante de nosso Deus e Pai." (Tessalonicenses 1:2-3) E em outro lugar: "Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação." (2 Tessalonicenses 1:11) E também: "Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações: para que Deus... vos dê um espírito de sabedoria..." (Efésios 1:16-17) Ainda em outro lugar: "E até oramos por vossa perfeição." (2 Coríntios 13:9) E a Timóteo ele escreve: "Dou graças a Deus, a quem desde os meus antepassados sirvo com uma consciência pura, de que sem cessar faço memória de ti nas minhas orações noite e dia." (2 Timóteo 1:3). Além disso, no Antigo Testamento, está escrito: "E o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó." (Jó 42:8) 

Observe que a partir de tudo isso, fica claro que os santos têm o poder de interceder junto a Deus para nossa salvação, revelando o fato de que, tanto nesta vida como também depois de sua morte, eles oram no céu pelos que estão na terra, intercedendo para o benefício de nossas almas, de acordo com o que está escrito nas Sagradas Escrituras: "Este é um homem que ama os seus irmãos e ora muito a favor do povo e da cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus." (II Macabeus 15: 12-14) Daniel em oração rogou a Deus (Daniel 10: 11-21).

Da mesma forma, Deus envia Seus anjos para ajudar aqueles que oram a Ele. (Gênesis 24:7) Deus enviou Seu anjo a Daniel para livrá-lo da boca dos leões. (Daniel 6:22) E o grande Apóstolo Paulo diz que os anjos estão a serviço de Deus, são aqueles que Ele enviará a fim de ajudar aqueles que herdarão Sua salvação. (Hebreus 1:14) Todo aquele que recebe os anjos recebe a Cristo. (Mateus 10:40-41) Assim, a partir de todos os testemunhos escritos acima, sabe-se que os anjos e os santos são capazes de interceder junto a Deus por nós através de suas orações, pois são amigos, amados e queridos a Deus.

Inquiridor: Tenho ouvido alguns dizerem que os Ortodoxos, pela veneração e reverência que prestam aos santos e aos anjos, eclipsam a glória e a honra que pertence somente a Deus. O apóstolo Paulo repreende e castiga severamente os Colossenses que fizeram isso, abandonando a adoração a Deus e venerando os anjos. Eis o que ele escreveu: "Ninguém vos roube a seu bel-prazer a palma da corrida, sob pretexto de humildade e culto dos anjos... ao invés de manter-se unidos à Cabeça (Cristo), da qual todo o corpo, pela união das junturas e articulações, se alimenta e cresce conforme um crescimento disposto por Deus." (Colossenses 2:18-19) 

Ancião Cleopa: Nenhum eclipse ou depreciação da glória de Deus resulta da reverência e veneração de Seus anjos. Isto é assim, antes de tudo, porque a veneração (adoração) que oferecemos a Deus é uma coisa e a veneração (honra)  que prestamos aos anjos e santos de Deus é outra. O mesmo Espírito Santo nos exorta a glorificar a Deus com Seus santos, dizendo: "Louvado seja Deus em Seus santos".  (Salmos 150:1) [2] Assim, também glorificamos a Deus quando buscamos em oração a ajuda e a mediação dos anjos e dos santos, pois os santos, em sua sucessão, levam nossas súplicas e pedidos juntamente com suas próprias orações a Deus. (Atos 9:32-42, Atos 20:36, Atos 28:3-9, Apocalipse 5:8) O próprio Deus glorificou (Romanos 2:10) Seus santos e os vestiu com sua glória: "E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um."(João 17:22) Em outro lugar Ele diz: "Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou. Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá galardão de justo." (Mateus 10:40-41) Esses testemunhos provam até onde vai as blasfêmias e erros daqueles que, abandonando a veneração dos Santos e Anjos - que são servos amados de Deus - não percebem que, abandonam o próprio Deus, o Criador de Todos. Infeliz é a blasfêmia e loucura deles.

Inquiridor: Por que os santos, então, se são realmente capazes, não suplicam a Deus por nossa salvação? Por exemplo, Abraão não teve nenhum desejo de suplicar a Deus em favor do homem rico e impiedoso. Foi talvez porque ele não pediu insistentemente?

Ancião Cleopa: Abraão não intercedeu pelo homem rico porque durante o tempo de sua vida o homem rico nunca procurou a ajuda dos santos, nem mesmo elevou sua mente para Deus. Nos Atos dos Apóstolos, vemos que o Apóstolo Pedro se opôs à adoração que Cornélio lhe prestou, visto que ele é apenas um homem. (Atos 10:25-26) O centurião romano havia se familiarizado com a noção de Deus desde que se afastou dos ídolos. Consequentemente, era bastante natural para ele acreditar que Pedro, como um homem enviado por Deus, fosse como Deus ou certamente como um homem superior aos outros ou como um semideus que não merecia reverência, mas adoração como aos deuses. Por esta razão, Pedro rejeitou a adoração que Cornélio procurou oferecer a ele.

Em uma passagem dos Atos dos Apóstolos (Atos 14:3-15), os Apóstolos Paulo e Barnabé repreenderam aqueles que lhes ofereciam adoração pela mesma razão dada acima, visto que os consideravam deuses e estavam se preparando para adorá-los. A partir destas passagens, vemos que os habitantes da cidade de Listra, maravilhados com a cura milagrosa que Paulo realizou do homem coxo desde seu nascimento, clamaram a uma só voz: "Deuses em figura de homens baixaram a nós! Chamavam a Barnabé Zeus e a Paulo Hermes, porque era este quem dirigia a palavra." (Atos 14:8-12) Assim, é fácil entender a rejeição dos Apóstolos a serem adorados como deuses, pois eles pregavam contra os falsos deuses e conduziam todos à adoração do único Deus. "Apesar dessas palavras, eles tiveram dificuldade para impedir que a multidão lhes oferecesse sacrifícios." (Atos 14:18) Em outra passagem (Apocalipse 19:10), o anjo que explica o sonho apocalíptico rejeita a adoração que o Apóstolo e Evangelista João lhe oferece, fundamentando assim: "Eu sou teu companheiro servo..." Isto é, "sou como tu, servo de Deus, como tu és. Estamos em uma relação de igualdade e não devo receber a adoração de você sobretudo, pois você também está aqui, não no corpo, mas no espírito (Apocalipse 1:10) - isto é, num estado angélico; nisso, você é como eu com o "espírito de profecia" que procura dar testemunho de Cristo".

Motivos adicionais para recusa são encontrados representados pelas palavras do anjo: "Adora a Deus". Deus estava no meio deles e o anjo revelador O teria ofendido se tivesse recebido a adoração de João para si mesmo. Mesmo entre os homens, é ofensivo prestar muito respeito a um alto funcionário de um líder de um país, quando esse líder está presente. De fato, quando ele está presente, a cortesia e a honra em todas as coisas é atribuída a ele, que é superior aos outros. No entanto, isto não significa que aqueles ao seu redor não sejam também dignos de honra.

Além disso, em uma passagem posterior (Apocalipse 22:8-9), o anjo expressa - desta vez mais claramente - sua igualdade com o apóstolo João e a negligência e impiedade que ele teria demonstrado se tivesse recebido a adoração.

Assim, a invocação das passagens acima por alguns para justificar seus falsos ensinamentos, a saber, a renúncia de prestar veneração aos santos e anjos, mostra-se como sendo uma interpretação inteiramente deles e de sua própria autoria. Os apóstolos Pedro, Paulo e Barnabé proibiram o povo de adorá-los como deuses porque, como homens santos, só era apropriado que eles recebessem uma veneração de honra e reverência de outros homens. Da mesma forma, o anjo revelador recusou a veneração de João em virtude da igualdade que ele partilhava com ele, já que João também era um servo de Deus. Não é difícil demonstrar em muitas passagens das Escrituras a honra e a reverência manifestadas pelos homens aos santos e anjos de Deus, assim como a aceitação destes últimos de tal veneração.

Similar ao primeiro exemplo, relatamos o seguinte: O rei Acazias enviou um terceiro capitão de cinquenta com seus cinquenta homens para ajoelhar-se diante de Elias e implorar-lhe. Quando chegaram a ele, o capitão falou com ele e lhe disse: "Peço-te, ó homem de Deus, que a minha vida tenha algum valor aos teus olhos e a destes cinqüenta homens teus servos." (2 Reis 1:13) E um pouco mais tarde: "...os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó... vieram-lhe ao encontro, e se prostraram (επροσκύνησαν)  diante dele em terra." (2 Reis 2:15) Mais uma vez, em outro lugar: "Então o rei Nabucodonosor caiu sobre a sua face, e prestou honra (επροσκύνησε) a Daniel." (Daniel 2:46) Também testemunhamos que Balaão, inclinando seu rosto, venerou (επροσκύνησε) o anjo do Senhor: "Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face." (Números 22:31) O anjo do Senhor aceitou a veneração de Ló. (Gênesis 19:1) O anjo do Senhor recebeu a veneração de Manoá e sua esposa, que caíram em terra sobre seus rostos (επροσκύνησαν), enquanto o anjo do Senhor ascendia na chama do altar. (Juízes 13:18-21) O anjo do Senhor recebeu a veneração de Davi e dos sacerdotes do povo. (1 Crônicas 16-18) E também o anjo do Senhor aceitou a veneração do profeta Daniel. (Daniel 10:9-15)

Eis que, em tudo o que lhe respondi, em tudo o que você teve dificuldade de crer, os santos e os anjos de Deus não recebem adoração (λατρεία) dos homens. Leia com cuidado as passagens relevantes das Sagradas Escrituras e você entenderá claramente que tanto os santos de Deus como Seus anjos recebem honra dos homens sem que esta honra desperte qualquer ira em Deus. Pois como é possível que Deus fique irado ao ver Seus preciosos e amados amigos sendo magnificados em Seu Nome, quando Ele mesmo os glorificou (Romanos 2:10), os dotou com poder de maravilhas e lhes concedeu dons espirituais excepcionais?

Inquiridor: Quais são esses dons espirituais e poderes excepcionais com os quais Deus honrou Seus santos? 

Ancião Cleopa: Desde o início, Ele lhes deu o poder de realizar milagres, como está escrito: "Maravilhoso é Deus em Seus santos, o Deus de Israel" (Salmo 67:36) e "Nos santos que estão em Sua terra, o Senhor tem sido maravilhoso; Ele tem feito neles todos os Seus desejos". (Salmo 15:3) Certamente, com a mão do profeta Moisés, Deus não feriu o Egito, [Êx. 10:12] transformou água em sangue, [Êx. 7:20-21] trouxe rãs, [Êx. 8:6] mosquitos, [Êx. 8:12] pestilência para os animais, [Êx. 9:3] úlceras, saraiva e fogo, [Ex. 9:9,18,23] gafanhotos, [Êx. 10:4-6] escuridão, [Êx. 10:21] morte para os primogênitos, [Êx. 12:29-30] passagem dos israelitas através do Mar Vermelho, [Êx. 14:16] destruiu o Faraó e seu exército, [Êx. 14:27] e levou a derrota de Amaleque, [Êx. 17] adoçou as águas de Mara, [Êx. 15] e jorrou água da rocha em Horebe, [Êx. 17:6] fez a terra engolir Corá e Datã, [Nm 16:28,31] enviou uma cura através da serpente de bronze, [Nm. 21] e fez a água brotar da rocha em Cades? [Nm. 20]

Em seguida, com Josué, o filho de Nun, Ele fez estes milagres: a contenção das águas do Jordão [Josué 3:11-17], o colapso dos muros de Jericó. [Josué 6:6-20] E com Gideão: a destruição dos habitantes de Midiã. Com Sansão: o despedaçamento do leão e a derrubada da casa do deus Dagom. [Juízes 14,16:28-31] E com Samuel: os relâmpagos e os trovões com a ceifa na hora da colheita [1 Samuel 12:16-18]. Com o profeta Elias: a grande seca, [1 Reis 17:1] a farinha e o óleo da viúva, [1 Reis 17:4] a ressurreição do filho da viúva em Sarepta, [1 Reis 17:17-23] fogo do céu sobre o sacrifício, [1 Reis 18:36-38] a abertura do céu e a grande chuva. [1 Reis 18:41-46]

Além disso, vemos a punição de Acazias com a morte [2 Reis 1:16], a separação das águas do Jordão com o manto de Elias. Então, com Eliseu temos: a separação das águas do Jordão, [2 Reis 2:14] a purificação das águas de Jericó, [2 Reis 2:19-22] os filhos de Betel despedaçados por duas ursas, [2 Reis 2: 23] a ressurreição do filho da Sunamita, [2 Reis 4:32-35] a cura de Naamã, [2 Reis 5:10-14] Geazi atingido pela lepra, [2 Reis 5:20-27] a ressurreição de um homem através dos ossos de Eliseu. [2 Reis 13:21] e com Isaías: a cura de Ezequias. [2 Reis 20:1-7] Os Doze Santos Apóstolos dão testemunho de que eles realizaram várias curas. [Mateus 10:1; Marcos 3:14-15; Marcos 6:7-13; Lucas 9:1-6]. Assim também os Setenta Apóstolos realizaram diversos milagres. [Lucas 10:9,17] Ainda mais, inumeráveis milagres são mencionados como realizados pelos Apóstolos [Marcos 16:20; Atos 2:43; Atos 5:12-16] - como a cura do homem coxo desde nascimento, [Atos 3:2-8] a morte de Ananias e Safira, [Atos 5:1-10] a cura dos doentes, [Atos 5:16] a cura do acamado Enéas, [Atos 9: 34] a ressurreição de Tabita, [Atos 9:36-41] a recuperação da visão de Saulo Paulo, [Atos 9:17-18] a cegueira de Elimas o Mago, [Atos 13:11] a ressurreição do jovem Êutico, [Atos 20:9-12] a cura do pai de Públio, [Atos 28:8] e muitos outros inúmeros milagres, sinais e maravilhas dos quais não há espaço aqui para recontá-los todos.

Observa, meu irmão, com que poder e dons cheios de graça Deus dotou Seus santos, tanto no Antigo como no Novo Testamento! Portanto, agora, no fundo de sua mente, a respeito dos milagres dos santos de Deus, reveja o que foi dito pelo Espírito Santo: "Maravilhoso é Deus em Seus santos, o Deus de Israel". [Salmo 67: 35]

Se também honrarmos os anjos de Deus da mesma maneira em relação a Seus santos, devemos confessar que Deus tem mostrado ao mundo muitos milagres extraordinários através de Seus santos anjos. Temos muitos exemplos: o anjo do Senhor que conduziu os israelitas para fora do Egito, [Êx. 14:19, 23:20, 32:34, 33:2; Nm. 20:16] a destruição de Sodoma e Gomorra, que foi efetuada por anjos, [Gn. 19:13] a peste em Jerusalém, [1 Cr. 21:14-16] a destruição do exército dos assírios, [2 Reis 19: 35] Herodes atingido pela morte, [Atos 12: 23] o anúncio do anjo do nascimento de Jesus Cristo [Mt. 1,20-21] e João Batista, [Lc. 1: 31] da Ressurreição de Cristo, [Mt. 28: 5-7] e da Ascensão e Segunda Vinda de Cristo. [Atos 1:10] Além disso, os anjos ministraram ao próprio Jesus Cristo, [Mt 4: 11, Mc 1: 13] eles anunciaram aos pastores Seu nascimento, [Lc 2: 9] e separarão os justos dos injustos no Dia do Juízo. De fato, inúmeros sinais e maravilhas milagrosas aconteceram através dos santos anjos de Deus, estão sendo realizados, e ainda serão mostrados até o fim dos tempos.

Estas obras do amor de Deus são realizadas por Ele através do serviço de Seus santos anjos. (2 Pe. 2:11) Portanto, temos o dever de honrar os santos anjos, pois, com amor e obediência, eles servem à obra de nossa salvação. (Jd 1:9; Sl 67:17, 90:11, 102:21 etc.)

Traduzido a partir da versão em inglês. Capítulo 4 do livro The Truth of Our Faith

terça-feira, 7 de junho de 2016

Da deusa da morte ao Imperador da Vida [Parte 2] (Danion Vasile)

Não muito antes disso, eu tinha escutado sobre Swami Shivamurti, uma mestre indiana, discípula de Swami Satyananda. No final dos anos 70,  ela tinha sido enviada para Kalamata para transmitir ensinamentos de yoga para os gregos. Em 1984, ela havia criado um "ashram", um mosteiro de yoga em Paiania, perto de Atenas. Eu conheci Swami Shivamurti em uma casa particular onde ela tinha decidido ver um número limitado de iogues. Perguntei-lhe se eu poderia viver uma vida ascética em seu ashram e ela respondeu com muita gentileza que eu certamente poderia. Embora eu desejasse que ela fosse um homem parecendo como um mestre tradicional - velho, com uma barba longa branca e com um semblante calmo - eu decidi ser seu discípulo e segui ela para a Bulgária, onde ela havia sido convidada para dar várias palestras.

Em algum momento, ela me deu um nome yogico, um tipo de nome batismal indiano. Embora eu esperasse um nome famoso, como Mahashiva ou Milarepa, o que foi me dado era aparentemente comum: "Bhaktimurti", significando "forma de devoção", "forma de piedade". Em outras palavras, para mim, o caminho mais curto para a iluminação era adorar alguém - uma divindade ou um poder cósmico... Então, eu escolhi adorar Cristo. Eu creio que Deus colocou o nome "Bhaktimurti" na mente de Swami Shivamurti; mesmo se ela não estivesse servindo Ele, mas os poderes das trevas, Deus falou através dela assim como Ele tinha falado por meio do asno de Barlão. No entanto, eu duvido que ela saiba que tenha me beneficiado muito escolhendo aquele nome para mim.

Eu fiz minha cabeça para entrar no ashram dela e ela me disse que certamente me permitia, mas já que eu não tinha idade suficiente, precisei da autorização por escrito do meu pai. Na Bulgária, algo de grande consequência para meu futuro aconteceu... Uma mulher iogue levou-me a algumas igrejas bem conhecidas em Sophia, uma das quais uma Igreja Russa em cujo porão havia as relíquias do Bispo Seraphim Sobolev, um homem de milagres. Em seu caixão havia pequenos pedaços de papéis em que as pessoas escreviam seus desejos e orações ao hierarca piedoso falecido. Eu me aproximei ao caixão e supliquei-lhe com todo meu coração que me ajudasse. Eu disse a ele,

"Ajude-me para que minha vontade não seja feita, mas a vontade de Deus seja feita em mim!"

Naquele momento, eu senti que algo mudou, algo que nem posso colocar em palavras. Quando estava praticando yoga, eu me sentia mal sempre que entrava numa igreja; me parecia que não havia ar e eu não conseguia respirar; além disso, eu não podia aguentar os serviços litúrgicos, exceto com grande dificuldade... No entanto, ali, naquela Igreja Russa, que abrigava as relíquias do bispo, era como se uma névoa estivesse subindo de mim. Embora ele não tivesse sido canonizado, as pessoas adoravam-no como se fosse um santo.

Voltei à Romênia muito animado para minha próxima viagem à Grécia. Meu pai me deu permissão para ir para Grécia, porque ele sabia que eu não tinha intenção de concluir o ensino médio de qualquer maneira. A senhora da classe me pediu para que eu fosse à escola para que os professores me vissem e me dessem uma avaliação para que eu não fosse reprovado, mas tudo que me interessava era como fazer progressos como um yogi. Na verdade, mesmo quando eu costumava ir à escola, yoga era minha única preocupação. Os estudos da escola parecia um desperdício! Apesar de ter frequentando a Faculdade de Ciências da Computação, que era a melhor em Bucareste naquele tempo, e apesar de ter ficado orgulhoso por ter passado no teste de entrada - afinal, eu sempre fui fascinado por ciência da computação por toda minha vida - yoga era minha grande paixão. Yoga havia me subjugado tão completamente que eu não podia me concentrar em qualquer coisa, exceto nas técnicas de meditação e asanas. Em toda a honestidade, eu tinha sofrido uma lavagem cerebral em pensar que somente poderia ler e estudar materiais de yoga - nada mais do que isso.

A data de partida estava se aproximando. Eu tinha colocado na cabeça que antes de chegar no ashram, que era próximo de Atenas, eu visitaria o Monte Athos, onde, eu tinha ouvido, os santos padres estavam praticando a Oração de Jesus. Eu queria ser iniciado na prática da Oração de Jesus também... Meu pai sugeriu que eu fosse conversar com o Padre Constantin Galeriu, um padre bem conhecido em Bucareste, que havia sofrido por Cristo nas prisões comunistas. 

Padre Galeriu me enviou ao Padre Ilie Cleopa do Mosteiro Sihastria na Moldávia, o que foi perfeito para mim, já que eu estava pensando em visitar alguns mosteiros para ver como a obediência monástica era praticada - como uma espécie de fase preparatória antes do ashram. No entanto, Padre Cleopa foi tão inflexível em sua oposição as práticas de yoga, e as minhas relações com os monges em Sihastria foram tão tensas em desacordo por eu ser um yogi, que eu deixei o mosteiro depois de uma estadia muito curta.

Ancião Cleopa
Depois de voltar a Bucareste, entrei para um outro grupo espiritual New Age, chamado "A Aliança para a Integração Espiritual no Absoluto", que combinava ensinamentos ortodoxos com ensinamentos espiritualistas e ensinavam as pessoas a ver auras, anjos e qualquer coisa que tinha a ver com o chamado mundo espiritual. Na verdade, tudo que eles faziam era fazer com que as pessoas se tornassem vítimas de enganos demoníacos, pois o diabo pode às vezes aparecer como um bom anjo também... Neste novo grupo, o diabo poderia trabalhar muito mais eficientemente que no grupo de yoga, ou, colocando de outra forma, ele era muito mais visível. Ao praticar yoga, pode-se visualizar o mundo espiritual só depois de muitos anos, neste grupo, podia se ver logo ali... Embora eu não tenha chegado a ver muitas coisas paranormais, eu tinha o poder de fazer com que os outros vissem; tudo o que eu tinha que fazer era colocar minhas mãos em cima de  suas cabeças, falar uma oração, e eles começavam a ver coisas de imediato...

Na escola, eu até mesmo comecei uma classe sobre adquirir poderes paranormais... Nós nos reuníamos no salão de festa e fazíamos nossos estudos paranormais lá. Indo acampar uma vez, eu ensinei a maioria das crianças que conheci lá a ver o mundo espiritual... Eu não tinha como saber que o que eles viam procedia de uma autossugestão ou de influências demoníacas. No acampamento eu quis ver se eu poderia hipnotizar alguém. Eu tentei e.. tive êxito. Foi fácil, muito mais fácil do que eu esperava...

Uma das vezes que me fez pensar sobre o que eu estava fazendo ocorreu durante meu encontro com um hieromonge. As pessoas do grupo New Age tinham me convencido de que minha ida a Grécia para ser discípulo de Swami Shivamurti Saraswati era inútil; numa comunidade monástica em nosso país havia um sacerdote, um homem santo, que era a reencarnação de São João Evangelista. Eu quis ver o "São João" com meus próprios olhos, então fui ao mosteiro com minha namorada e companheira de tantra yoga, que tinha vinte e quatro anos. Eu tinha quase dezoito anos. Quando nos aproximamos da cerca do mosteiro, vimos o reverendo padre de pé ao lado da cerca, como se ele estivesse esperando por nós. Ele nos perguntou,

"Vocês são iogues, não são? Vão embora, vocês, perdidos! Aqui é um mosteiro e este chão é sagrado... O que vocês estão fazendo aqui? Quem já ouviu falar de tal coisa - meninos e meninas vindo juntos para um mosteiro...? Vocês, pecadores, não tem vergonha de si mesmos? Como se atrevem a vir aqui, de todos outros lugares? Vocês, seguidores de Steiner, teosofistas e só Deus sabe mais o quê...",

ele murmurou, entrando no prédio que abrigava as celas monásticas. A minha namorada realmente tinha lido muitos escritos de Rudolf Steiner e outras obras teosóficas. O reverendo padre podia ver através de nós... Só mais tarde eu entendi por que ele tinha nos repreendido por ter ido juntos ao mosteiros - ele estava se referindo ao fato de que éramos amantes, mas naquela época eu não tinha a menor ideia de o que estávamos fazendo era fornicação e que era um pecado.

Minha namorada e eu demos um passo dentro da igreja, pensando que ele não iria nos expulsar de lá. Quando ele entrou na igreja, ele apontou o dedo para nós e perguntou,

"Vocês acreditam em reencarnação, não é?" -

"Sim", eu respondi, convencido de que eu tinha que defender a verdade em frente aos cristãos que não estavam familiarizados com a verdade. Em seguida, ele acrescentou:

"E vocês pensam que eu sou João Evangelista, não é?"

"Sim", eu respondi, com convicção.

"Saiam daqui, almas perdidas! Aqui é a Casa do Senhor, e se vocês não renunciarem suas loucuras, isso significa que vocês não pertencem aqui!"

Eu não esperava que ele nos expulsasse da Igreja. Eu sabia que tanto a tradição Cristã quanto a tradição oriental exigiam que a paciência do discípulo seja posta à prova nas formas mais inesperadas, então eu não quis desistir. Minha namorada, que era mais velha, se sentiu mal vendo a repreensão do padre e começou a chorar...

Teria sido natural que eu fosse convertido à fé Ortodoxa ali mesmo... Meus amigos do grupo "Nova Aliança" repetidamente me diziam que antes de aceitar-me como o seu discípulo secreto, o padre me colocaria num teste muito difícil e, de fato, eu pensei que se tratava do teste. Tendo sido manipulado e doutrinado por completo, eu não percebi que o reverendo padre realmente quis dizer o que ele tinha dito.

Voltamos para Bucareste, mas meu desejo para ver aquele sacerdote novamente foi ficando cada vez mais forte. Eu voltei ao mosteiro e ele me pediu pra escolher entre os ensinamentos da Igreja e os ensinamentos New Age que eu acreditava. Recusei deixar de lado meus compromissos espirituais errôneos e decidi fazer uma peregrinação aos mosteiros da Moldávia. Uma coisa estranha aconteceu comigo no Skete Sihla. Enquanto eu estava em pé em frente a uma cela monástica com a Bíblia na mão, um padre veio até mim e me pediu para ler uma determinada passagem para ele; seu cabelo e sua barba eram brancos e ele tinha um rosto suave; na passagem dizia que os hereges seriam punidos por seus caminhos errados. Então o padre foi embora e eu pensei,

"Sim, os hereges devem ser punidos, isso com certeza, mas por que ele me perguntou, de todas as pessoas, para ler essa passagem? Isso significa que sou um herege?"

Perto do Skete Sihla há uma caverna onde Santa Theodora viveu uma vida severa e ascética de eremita; os corvos ajudavam ela, trazendo comida para ela em seus bicos. Eu quis passar uma noite na caverna, orar lá, e pedir a Deus para me ajudar a escolher o caminho certo. O abade do mosteiro me deu sua bênção, então uma noite eu comecei a me preparar para ir à caverna. No caminho através da floresta, ouvi todos os tipos de ruídos estranhos. Alguém tinha me dito que três anos antes um homem estava comendo framboesas em um arbusto e do outro lado do arbusto tinha um grande urso... Eu não podia esperar para chegar à caverna onde eu pensava que seria agradável e pacífico; durante o dia, eu tinha ido lá várias vezes para orar e tinha sido tão quieto ...

No entanto, desta vez não foi assim... Aquela ia ser a mais terrível noite de minha vida... Eu pensei que eu iria ficar acordado a noite toda dizendo a Oração de Jesus, mas as tentações vieram muito rápido. Primeiro, havia os morcegos - muitos morcegos, voando bem perto de mim, batendo suas asas, eu sentia o vento frio feito por aquelas asas terríveis soprando diretamente no meu rosto. Eu estava assustado e me sentia mal. Tinha medo que um desses morcegos tentassem agarrar em meu cabelo. Embora eu tivesse raspado minha cabeça um ano antes, a fim de parecer com um verdadeiro yogi, meu cabelo tinha crescido nesse meio tempo, então cobri minha cabeça com meu casaco de couro para manter os morcegos longe de mim. Em algum momento, eu pensei que talvez Deus quisesse me punir por meus pecados e eu descobri minha cabeça, mas os morcegos não encostavam... Depois de um tempo, houve uma outra tentação: os ratos começaram a subir as minhas botas.

Foi uma tentação terrível... Algumas pessoas que estiveram na caverna antes de mim disseram-me que não havia morcegos nem ratos ali, mas eu os vi... Por outro lado, talvez o que eu vi tenha sido uma visão demoníaca... É difícil dizer...

Eu estava ficando cada vez mais assustado. Eu senti que a tensão nervosa estava chegando ao seu limite; na verdade, pensei que eu iria enlouquecer. Também pensei que se adormecesse o demônio iria se apossar de mim. É tão difícil de explicar, mas era o que sentia e o que pensava... Eu ficava pingando cera de vela nas minhas mãos, em diferentes pontos, a fim de que as queimaduras me mantivessem acordado. Orei e orei,

"Deus, pela graça da bênção do Hegúmeno, tem piedade de mim! Deus, pelo poder da obediência, tem piedade de mim!"

Eu não conseguia dizer a Oração de Jesus; tudo o que eu fiz durante toda noite foi ler as orações de um livro de oração, do início ao fim; assim que terminava, eu começava a ler as mesmas orações mais uma vez...

Em seguida, houve outra tentação que realmente superou as anteriores. De repente, eu vi um animal enorme andando na caverna através de sua entrada estreita; ele entrou e deu três grandes passos. O primeiro passo me fez levantar a cabeça, o segundo passo deixou-me bastante apreensivo, e o terceiro foi ameaçador. Era um grande animal e só poderia ter sido um urso. Eu pensei,

"Eu não tenho espaço para sair da caverna, nem mesmo se eu tentasse esquivar dele. Se eu tentar lutar com ele, eu não tenho a menor chance de derrotá-lo. A melhor coisa é morrer em oração ".

Eu tinha certeza que iria morrer ali mesmo - então eu só orava sem me virar pra olhar o urso... Ao perceber que não havia mais qualquer ruído atrás de mim, me virei para entrada da caverna, mas não havia nenhum animal em qualquer lugar à vista... tinha sido uma tentação demoníaca que assustou as luzes para fora de mim... Talvez houvesse morcegos e ratos naquela caverna, mas certamente não havia ursos, porque um urso não poderia sair daquela caverna sem fazer o mesmo barulho que fez quando pisou dentro dela - uma vez que a entrada era muito estreita... Aqueles que estão familiarizados com a caverna sabem do que estou falando e certamente concordarão comigo...

Deus viu que eu não tinha entrado na caverna para posteriormente me vangloriar sobre meus esforços ascéticos, mas que eu estava desesperado e queria orar e suplicar-lhe para me mostrar o caminho certo. Eu temia que a fé ortodoxa não fosse o verdadeiro caminho também e que teria que procurar um outro grupo espiritual. Eu preferia morrer do que ter que trocar um caminho errôneo por outro. Orei a Ele,

"Deus, me deixe morrer em vez de viver longe de Você e ensinar os outros a tomar o caminho errado"...

Uma noite após a noite aterrorizante que passei no interior da caverna, eu tive um sonho que mudou minha vida. Sonhei que estava procurando um livro canônico sobre a expiação dos pecados, em busca de um cânone que seria adequado para meus pecados. No sonho, eu ouvi uma voz clara e poderosa que me acordou. A voz disse,

"Aqui está seu cânone: você deverá ensinar os outros sobre a filosofia dos Padres da Igreja."

Eu acordei ao mesmo tempo tentando entender por que o cânon ordenado a mim, que eu tinha percebido como uma mensagem divina, não se referia a ensinar as pessoas sobre a teologia dos Padres da Igreja, mas sobre a filosofia. Um padre confessor experiente me explicou o que isso significava: Deus não queria que eu pensasse que o sonho tinha sido induzido por autossugestão, por isso eu ouvi "filosofia" em vez de "teologia". Na verdade, naquela época eu não sabia que a filosofia dos Padres da Igreja era, de fato, a sua teologia, isto é, falar com Deus e sobre Deus...

A voz divina que veio até mim naquele sonho marcou o momento decisivo na minha vida. Eu voltei ao reverendo padre que me expulsou duas vezes e lhe disse que queria abraçar a fé ortodoxa e tornar-me paroquiano. Preparei-me para confissão - escrevi meus pecados no papel (havia sete páginas no total) e depois fui a confissão. Senti que minha alma foi purificada do pecado e que minha vida mudou completamente... Embora eu ainda não merecesse, eu recebi a Sagrada Eucaristia, seguindo o conselho do reverendo padre e com sua bênção.

Desde então eu abandonei minha crença na reencarnação, as práticas de yoga e a libertinagem sexual. Houve alguns momentos difíceis, alguns muito difíceis, mas eu sempre senti que Cristo estava perto de mim... Dizendo essas palavras pra vocês e pensando no meu passado sinto como se estivesse contando a história de outra pessoa. É difícil me lembrar que eu era um yogi; parece que não era eu... Na verdade, o arrependimento purifica a mente e limpa a alma.

Depois de alguns anos, me casei e tive a impressão de que eu era virgem; eu realmente tive a sensação de que não tinha conhecido outra mulher antes e que minha esposa foi a primeira mulher na minha vida ... Na verdade, uma vida de pecado não se assemelha a uma vida familiar - nem um pouco. Embora na superfície possam parecer semelhantes, elas são duas coisas completamente diferentes.

O que aconteceu depois da minha primeira confissão de pecados? Comecei a frequentar os serviços da igreja, fui para a faculdade e estudei teologia, graduando no Departamento de Teologia Ortodoxa e, em seguida, fiz um mestrado em Estudos Denominacionais e Ecumenismo (focando nas aberrações do movimento New Age). Quando eu estava no colégio, conheci um padre que vivia como um santo; no momento, estou escrevendo um livro sobre sua vida e sobre os milagres que ele realizou. Ele me disse que eu iria escrever muitos livros, que atenderiam às necessidades espirituais... Depois de ter escrito meus primeiros livros - até agora, já ultrapassam vinte - um companheiro cristão que conheci ao visitar um mosteiro me disse,

"Você sabe, desde que você estava no colégio, Padre X (e nomeou o padre) disse que você iria escrever muitos livros. Vejo que suas palavras foram bastante proféticas..."

Eu comecei a escrever, a fim de convencer aqueles que estão longe da Igreja Ortodoxa que eles estão longe da Verdade, da beleza e da satisfação interior. Meus primeiros livros eram contra aberrações e delírios espirituais, contra a astrologia e horóscopos, contra a crença na reencarnação, contra os Evangelhos gnósticos. Um periódico da minha conversão - Da deusa da morte ao Imperador da Vida - descreve minha conversão à Ortodoxia, enquanto um dos últimos livros que escrevi, O Evangelho segundo Judas, eu combato não só o Evangelho gnóstico atribuído a Judas, mas também maneira de pensar de Judas, uma vez que essa se reflete na teologia contemporânea, nas artes e na literatura. Eu percebi que escrever para aqueles que foram iludidos pelo Movimento New Age não era suficiente: os que são "indiferentes" [Apocalipse 03:15] e levam uma vida cristã medíocre também precisam de ajuda. Eu tenho escrito livros para jovens, como, por exemplo, O Livro do Casamento - Como começar uma família e Juventudes e Sexualidade, apontando a maneira em que a devassidão perverte a mente dos homens e mulheres jovens de nossos dias... Eu tenho também escrito livros para pessoas maduras, lidando com formas em que se deve enfrentar problemas e doenças, e comentários sobre o Paterikon ...

Estou plenamente consciente do risco que eu estou tomando ... Na Ortodoxia, não são os jovens que devem falar, mas os anciões que têm uma experiência espiritual sólida ... Eu escrevo porque eu devo obediência ao meu pai espiritual, que disse que lamentava que eu não tivesse quatro mãos para que pudesse escrever mais... ele também disse que eu tinha que escrever, porque minha redenção dependia disto. Quando eu vim para a Grécia, para meu Ph.D., a primeira coisa que perguntei a um reverendo padre foi,

"Está correto que eu deva escrever tantos livros, tendo em conta o fato de que eu sou tão jovem e inexperiente, só porque devo obediência ao meu pai espiritual e porque estou sob a sua autoridade espiritual?"

Sua resposta foi:

"Se o seu pai espiritual reza por você e ele te sustenta por suas orações, tudo vai ficar bem. Mostre obediência a ele e tudo vai ficar bem ".

Eu tinha minhas dúvidas sobre obedecer: devo ou não devo seguir o caminho da obediência? Fiquei ainda tentado a deixar o meu pai espiritual, pois pareceu-me que ele não era o melhor guia e conselheiro eu poderia ter. Uma noite eu tive um sonho. Sonhei que estava dentro de uma igreja na qual havia as relíquias de São Nektarios. Meu pai espiritual estava orando em um lado do caixão e eu estava do outro lado. O santo começou a se mover no caixão... e pedi-lhe para me dar a sua bênção. Ele tinha uma grande cruz de metal em sua mão e começou a fazer o sinal da cruz em cima da minha cabeça. Ele fez isso várias vezes, dizendo:

"Deus te abençoe, te abençoe ..."

Ao despertar, e recordando o sonho, tive medo que pudesse ter vindo do demônio, de modo que eu chamei meu pai espiritual em seu telefone celular. Eu disse a ele

"Pai, você sabe que eu não levo sonhos a sério, mas..."

- E contei com o meu sonho para ele. Então eu lhe perguntei:

"Você acha que ele veio do demônio, do meu subconsciente ou de Deus?"

Ele respondeu,

"Como poderia ter vindo do demônio, se esta manhã eu estava orando por você sobre nas relíquias de São Nektarios? Estou na Grécia, você não sabe disso?"

Não, eu não tinha ideia de que ele estava na Grécia. Eu pensei que ele estivesse na Romênia, mas ele ativou seu roaming e tinha respondido seu telefone celular na Grécia... Eu também disse meu sonho a um ancião que levava uma vida santa em um mosteiro na Grécia e ele me disse:

"Seu pai espiritual não poderia ter dito abertamente que seu sonho tinha vindo de Deus, a fim de não cair no pecado do orgulho - especialmente por ter visto ele próximo ao caixão do santo. São Nektarios quer incentivá-lo a caminhar corretamente no caminho de testemunho de Cristo..."

Este sonho foi o incentivo que eu precisava para ir em frente. A estrada é acidentada, as tentações são grandes, mas eu nutri a esperança de que Cristo me ajudaria a dar mais um passo e depois outro ...

Minha vida em Cristo tem sido extraordinariamente bela... A coisa mais importante para mim foi que vim a conhecer a Verdade e saber que a Verdade é amor... Na Igreja Ortodoxa, eu aprendi a amar. O amor cristão é caloroso - não é como o amor do yogi, que é frio e superficial... Eu descobri a beleza da vida familiar, que é, de fato, um tesouro. Ao lado de minha esposa e nossos três filhos tenho a nítida sensação de que estou no meio de um belo sonho... Parece-me que as pessoas falam e escrevem muito pouco sobre as famílias cristãs. Casar para mim era quase como uma aposta de alguma maneira: estava esperando que seria uma bela vida, mas eu não tinha certeza. Minha vida familiar tem sido muito mais difícil do que eu imaginava, mas também muito mais bela ...

Eu dou testemunho da fé Ortodoxa porque alguns daqueles que praticaram ioga tem sérios problemas de comunicação e são socialmente desajustados, embora tenham formalmente convertido à fé Ortodoxa; eles receberam o ensinamento Cristão, mas ainda possuem um comportamento yogico.

Confesso que sou muito feliz em ser um fiel Ortodoxo... No passado, tinha medo que eu ficasse entediado e ficava me perguntando: "Será que a vida Cristã se tornará um lugar comum para mim?" Além disso, eu descobri que uma vida vivida em comunhão com Deus, com a Theotokos, com os santos e com os mártires da Igreja pode ser qualquer coisa, menos entediante.

Ao contrário, acredito que a vida de um cristão é extremamente cativante. Além disso, deve-se ser um verdadeiro herói para viver como um cristão neste mundo, que é tão cheio de pecado e tão afeiçoado de heresias.

Meu objetivo tem sido o de convencê-lo a alcançar aqueles que que estão afastados da Igreja. Normalmente, após uma conferência, as pessoas recolhem fundos para os pobres ou para os missionários cristãos em países africanos ou para variadas atividades sociais.

Não vou pedir-lhe para colocar dinheiro em uma caixa, mas para colocar uma parte de sua alma nisso e perceber que ao seu lado pode existir muitas pessoas que foram enganadas por diferentes religiões e denominações. Você pode fazer a diferença. Você pode ajudá-los através de uma vida verdadeiramente cristã.

Essas pessoas estão fartas de palavras vazias e sermões cristãos não convincentes. Elas precisam de exemplos brilhantes do modo cristão de viver. Eles querem ver em você um ícone vivo de Cristo.

Não force ninguém a vir até Cristo, mas conquiste-os com o seu amor cristão. Ninguém pode resistir amor. O mundo de hoje procura o amor nos lugares errados e tudo o que as pessoas encontram é um amor falso.

Ofereça a eles o amor verdadeiro, o amor sacrificial e você irá mudá-los. Mesmo aqueles que decidiram nunca mudar começarão no caminho da conversão - devagar, mas certamente.

Vejam bem, estou somente enviando para vocês essa caixa invisível, dentro da qual não estou pedindo para você colocar dinheiro, mas repito, algo muito mais precioso - uma parte de sua alma. Você está pronto para tal doação?

Você me faria muito feliz! Que Deus lhe ajudem em todas suas boas obras e conceda Sua graça para você. Amem. 
texto retirado do blog http://www.johnsanidopoulos.com

Da deusa da morte ao Imperador da Vida [Parte 1] (Danion Vasile)

Danion Vasile
Estou dando esta palestra porque me sinto obrigado a dar testemunho da forma em que Cristo chama até Ele aqueles que foram enganados por diferentes religiões ou por práticas espirituais não-ortodoxas. O tema, Da deusa da morte ao Imperador da Vida, relaciona o passado e o presente - uma vez que antes de voltar para Cristo, o Filho de Deus, e aos ensinamentos da Igreja Ortodoxa, eu era um adorador de Kali, a deusa da morte.

Gostaria de dizer que as coisas que falarei parecerá algo inacreditável para alguns de vocês. Eu compreendo o ceticismo e não estou tentando convencer os céticos sobre a validade do que vou contar; eu sei que, de fato, minha história vai soar como uma obra de ficção científica para esses, mas também sei que existem pessoas por aí que irão em suas almas e acreditarão no que estou prestes a dizer realmente aconteceu comigo. Hoje, quase 15 anos depois de eu ter convertido à Ortodoxia, sinto-me como se tivesse nascido e crescido na Igreja Ortodoxa. É cada vez mais difícil lembrar-me das práticas de yoga que me interessava e das forças paranormais que costumava ter, ou das depravações sexuais tântricas que eu costumava viver...

Muitos anos já se passaram desde que comecei a escrever e falar contra as práticas de yoga, contra o ocultismo e outras ramificações do Movimento New Age. Por que eu tenho feito isso? Porque sei que milhões de almas caíram na armadilha dessa ilusão, porque sei que essas almas precisam da verdade de Cristo, e porque eu sei quão difícil é caminhar ao longo de um caminho espiritual cujo o fim é o demônio que te aguarda, e não Deus.

É falta de humildade falar sobre a própria vida, eu sei. No entanto, não falarei sobre as boas ações que fiz, mas sobre minhas más ações e sobre a forma em que Cristo veio até minha vida e gentilmente me levou para luz da verdade...

Eu nasci em 15 de agosto de 1974, no dia da Dormição da Theotokos. Quando criança, eu não era muito próximo a Igreja. Embora eu tenha sido batizado quando bebê, assim como a maioria dos bebês romenos, durante o regime comunista poucas pessoas frequentavam a Igreja regularmente - e, embora algumas acreditassem em Deus, elas não forneciam uma educação religiosa aos seus filhos.

Lembro de entrar em uma Igreja Católica quando pequeno; lá, nas paredes internas vi cenas da Paixão de Cristo. Naquela noite sonhei que Cristo foi levado até o Calvário e Ele caiu devido ao peso da cruz. Eu quis pegar Sua cruz.. Embora o sonho tenha me tocado, eu não posso honestamente dizer que foi o início de um compromisso com a fé Cristã para mim. No entanto, eu era particularmente atraído por um crucifixo em nossa casa, o qual me disseram que havia sido trazido da Grécia, isto é, do Monte Athos, por meus bisavós. Eu costumava olhar para ele e ficar impressionado com o sofrimento de Cristo, mas eu ainda não pensava em levar uma vida Cristã.

Logo depois de completar treze anos, comecei minha vida sexual. Meu pai insistia nisso; ele continuava a dizer que eu não era digno de ser seu filho se eu não fizesse - então eu fiz... Até hoje lembro que costumava passar horas a fio tentando conversar com uma garota para ir a cama comigo. Vinte anos atrás as crianças levavam uma vida muito mais pura do que aquelas de hoje e era muito mais difícil convencer alguém a pecar.

Um pouco antes de eu completar quatorze anos minha mãe se suicidou jogando-se pela janela. Ela caiu aproximadamente 2 metros de distância do local onde minha irmã estava; minha irmã, que tinha onze anos na época, sofreu um choque terrível. A morte de minha mãe me fez procurar resposta para a pergunta,

 "O que acontece conosco depois da morte?"

Algumas vezes antes desse acidente trágico eu havia experimentado alguns exercícios de yoga, mas depois dele, passei a me dedicar mais a yoga. Meu pai trouxe para casa livros de yoga e filosofia oriental para que eu lesse. Eu tentei controlar a batida do meu coração a ponto de pará-lo completamente, mas eu não poderia fazer isso. Eu também tentei viagens atrais e exercícios de levitação, mas eu não era bom nisso. Eu cheguei a tentar até mesmo técnicas espíritas nas minhas tentativas de contactar minha mãe morta, sem perceber que em vez de falar com ela ou com outros espíritos, eu estava falando com demônios. Tornou-se óbvio que eu não poderia fazer essas coisas por mim mesmo: eu precisava de um guru.

Foi quando fiz uma visita a uma jovem que era mais velha que eu e que tinha forças paranormais que eu decidi colocar toda minha atenção para buscas espirituais. Por um longo tempo essa jovem mulher havia dito o futuro dos outros com uma precisão extraordinária. Ela vinha fazendo isso até que ela começou a ter sonhos com igrejas em ruínas e com uma voz, que perguntava a ela, "Deus ou o diabo?" No entanto, ela ainda não foi a igreja, muito embora tenha desistido de ler o futuro nas cartas.

Enquanto estava falando com ela, eu disse uma mentira inocente. Naquele momento eu senti uma força física saindo dela me afastando... eu senti como se tivesse saltando da janela para me livrar daquela pressão invisível. A jovem foi para a outra sala e me acalmei. Quando ela voltou, eu disse a ela que tinha mentido para ela sobre alguma coisa e ela disse que por isso que o pânico apoderou-se de mim. Eu disse que queria ter tais poderes também e ela sugeriu que eu fizesse yoga. Ela recomendou as aulas de yoga lecionadas por Gregorian Bivolaru, o mais famoso e controverso guru romeno de nossa época.

Em 2004, as autoridades romenas tomaram medidas legais contra Bivolaru, acusando-o de "tráfico de escravos e transgressões das leis associadas ao crime organizado" e em 2005 ele deixou o país ilegalmente e procurou por asilo político na Suécia; o Supremo Tribunal em Estocolmo considerou que ele tinha sido perseguido por suas crenças religiosas e que as acusações contra ele tinham a ver com perseguição religiosa e recusaram extraditá-lo. Hoje, depois de ter conhecido ele e sua maneira de subjugar nossas almas, eu compararia ele com Jim Jones, aquele que fez com que centenas de discípulos cometessem suicídio na Giuana, em 1978. Bivolaru não obrigou ninguém a cometer suicídio - não ainda, de qualquer maneira eu teria feito isso, se ele, que era meu guru, tivesse me pedido; Eu teria cometido suicídio sem pensar duas vezes, porque eu estava convencido de que se meu guru me pedisse para fazer, isso significava que o suicídio iria me beneficiar espiritualmente.

Em 1990, na época que eu entrei para o grupo de Bivolaru e comecei a ter aulas de yoga com ele, pouco menos de um ano havia se passado desde que o regime ditatorial de Ceausescu havia sido abolido e nós finalmente podíamos desfrutar a liberdade religiosa na Romênia. Ceausescu havia perseguido a Igreja e todos os grupos espirituais durante anos a fio. Por isso que muito daqueles que haviam sido presos durante esses tempos difíceis tornaram-se muito populares depois de 1989 - e Gregorian Bivolaru era um deles. Ele tinha sido preso sob a acusação de disseminar materiais pornográficos, mas seus discípulos declararam que essas acusações eram apenas um pretexto e que o verdadeiro motivo de sua prisão eram os seus ensinamentos de yoga. Era uma defesa plausível, tomando em conta o fato de que muitos sacerdotes foram condenados à prisão perpétua pelo regime comunista sob a acusação de que eles eram afiliados a um grupo político de orientação nazista...

Eu tinha acabado de começar a escola quando me voltei para a yoga; estava na décima classe e acreditava em tudo que me diziam ser a Verdade; eu certamente acreditava que Bivolaru era um grande espírito, talvez mesmo até o novo Messias. Foi-nos dito que, assim como Cristo tinha sido o mestre espiritual da Era de Peixes, da mesma forma a Era de Aquário ou a Nova Era havia um Messias que estava por vir, a fim de conduzir o mundo para uma elevada santidade.

Naqueles dias, circulavam algumas profecias em nosso país, propagadas por diferentes denominações cristãs, alegando que Bucarest seria a Nova Jerusalém, e a Romênia se tornaria o novo centro espiritual do planeta. Eu acreditava sinceramente naquilo - uma vez que eu estava convencido da grande importância das técnicas de meditação ensinadas por Bivolaru. Estava convencido de que ele estava familiarizado com o caminho mais curto para a liberação espiritual e a cessação do ciclo de reencarnação. Assim como todos os mestres New Age, Bivolaru pregava a crença na reencarnação e considerava que  o tantra yoga era o caminho mais eficiente para a perfeição. O que é tantra yoga? É o yoga sexual. Pela concentração mental os yogis afirmam que podem transmutam as energias sexuais em energias espirituais. Eles se envolvem em atos sexuais, mas não pelo mero prazer - pois no tantra yoga, o orgasmo é visto como um desperdício de energia, ao passo que um ato sexual sem orgasmo é considerado um meio de progresso espiritual.

Sendo um estudante de escola secundária, eu estava feliz que muitos estudantes universitários e intelectuais estavam frequentando os cursos de yoga. Para mim, isso era uma prova sólida de que eu estava no caminho certo. Hoje, olhando para trás, depois de tantos anos, percebo que alguns deles estavam ali só pelo sexo... É mais fácil fazer yoga e ter quantos parceiros sexuais você desejar do que gastar seu dinheiro pagando por isso num bordel. Naquela época, no entanto, eu não enxergava as coisas dessa maneira...

Bivolaru era considerado um Grande Mestre... Por exemplo, ele nos ensinou como flutuar no ar: era uma técnica que devia ser praticada por quatro meses e, em seguida, era só flutuar... Embora não tivéssemos interessados em adquirir forças paranormais, algum de nós adquirimos e não era de estranhar que tivéssemos adquiridos. Um jovem conseguiu voar do chão, onde estava sentado em uma posição de meditação, até o alto, perto do teto, colocando objetos em cima do armário. Outras pessoas adquiriram forças paranormais chamadas "sidhis"... Depois de muitos exercícios de yoga, eu, por exemplo, senti que tinha me tornado tão grande quanto o quarto que me encontrava e que as quatros paredes da sala estavam pressionando meu campo de energia.

Mal sabia eu que era tudo uma sensação induzida pelos demônios...

De qualquer forma, eu realmente não percebia a presença do maligno, exceto em ocasiões muito raras... Durante as nossas sessões de meditação, eles colocavam uma música de ambiente bem agradável e suave, mas uma vez colocaram uma música horrível, parecia vir do inferno... fiquei chocado ao ouvir aquilo, mas pensava que eu não estava suficientemente evoluído espiritualmente para integrá-la. Outra vez eu meditei na frente de um espelho à luz de velas, tentando ver minha aura... eu estava treinando para uma meditação que eu ia fazer no cemitério judaico que ficava ao lado do lugar onde estava vivendo naquele tempo, não tinha que me dar o trabalho de chegar até o cemitério... Enquanto meditava, de repente senti uma presença demoníaca ao meu lado. Eu não cheguei a vê-lo, devo dizer, apenas senti de forma tão vívida que fiquei com muito assustado.

Ainda assim, meu mais intenso contato com o demônio veio como resultado da minha iniciação no tantra yoga. Embora que, no momento em que ocorreu, pensei que era uma revelação, um momento de contato com o Absoluto, e só depois de me tornar cristão eu entendi que minha revelação tinha sido de origem demoníaca. Aqui está como isso aconteceu...

Eu estava na praia com uma garota, e havia yogis ao nosso redor. Estávamos sentados na areia em uma pose de meditação, um de frente para o outro e tocando as palmas de nossas mãos e nossos joelhos... De repente, eu simplesmente esqueci que eu era humano. Percebi o Universo como um ser com sete centros de energia e senti que os meus sete centros de energia estavam conectados com a energia do universo. Eu não sei quanto tempo este estado de êxtase durou, mas quando voltei a mim, pensei,

"Qual o sentido de seguir jejuns quando praticando tantra yoga eu posso progredir muito mais facilmente?"

Então, eu tomei a decisão de praticar tantra yoga...

Embora tivesse começado yoga a fim de me livrar da miséria espiritual que os pecados sexuais deixaram na minha alma, eu comecei a ter relações sexuais novamente - só que desta vez eu estava firmemente convencido de que estava fazendo a coisa certa. Cada noite eu dizia o 'Pai Nosso' três vezes, pedindo que Deus perdoasse todos os meus pecados e me desse forças para fazer somente o bem. O pensamento de que eu estava pecando por ter relações sexuais nem se quer passava pela minha cabeça; pensava que se eu tivesse desistido de ter orgasmo, tudo era limpo... Minha convicção de que o tantra yoga era uma coisa boa era tão forte que eu desejava que o mestre fizesse sexo até mesmo com minha irmã, que era virgem e tinha cerca de quinze anos de idade. Naquele tempo, o mestre tinha relações sexuais com minha namorada a cada semana e ela me disse que as outras meninas faziam fila em frente de seu quarto, à espera de sua vez; todas estavam ansiosas para ter uma sessão de treinamento de tantra yoga com o mestre...

Não quero que você pense que a yoga havia se tornado um passatempo para mim... eu fazia jejum e até mesmo pensei em desistir completamente de alimentos - isto, é, eu estava pensando em viver sem comer nada em absoluto...

Comecei ficar sem comer por um dia, dois dias e depois até três dias seguidos... Então, consegui jejuar por uma semana inteira; eu bebia água e só. Eu não tinha nem mesmo dezoito naquele tempo, o que significa que ainda estava crescendo - de modo que foi muito difícil para mim quando decidi jejuar por mais uma semana, mas sem água desta vez. Eu me alimentava de ar e de energias do maligno... Isso foi durante a semana da Paixão, em 1992. Lembro-me de me perguntar, no início da Quaresma do mesmo ano,

 "A quem pedir ajuda: Bivolaru ou Cristo?"

Eu escolhi pedir ajuda primeiro a Cristo, mas se Ele não me ajudasse, eu disse a mim mesmo, em seguida iria recorrer ao meu guru.

Eu tinha uma grande confiança nas forças de meu guru. Fomos informados de uma forma especial de yoga, chamado de Guru Yoga, que era condicionado por uma completa obediência a um mestre. Havia uma história também, que todo mundo acreditava que era verdade, de um homem que havia se jogado em um precipício porque seu mestre não o aceitou como seu discípulo; ele quebrou os braços e as pernas e seu mestre colocou de volta no lugar e depois o ressuscitou... essas histórias me fazia confiar ainda mais no meu mestre. Eu até mesmo tive uma visão dele, que agora percebo que era uma visão demoníaca: o universo estava cheio de milhões de células e meu mestre estava sentado na posição de lótus em cada uma delas. Eu estava respirando essas células - inalando, por assim dizer - e quando eu exalava, as células saiam, mas meu mestre permanecia dentro de mim...

Uma amiga minha que tinha me convidado para assistir uma palestra de Bivolaru me disse que ela viu raios de luz saindo dele...

Uma vez que tinha uma grande confiança nos poderes do meu guru, eu acho que Deus colocou na minha mente o pensamento de jejuar e pedir ajuda a Cristo só para me oferecer um caminho para sair daquela armadilha que eu tinha caído.

Durante essa semana de jejum, eu li trechos da Philokalia pela primeira vez. Eu não percebia que minhas meditações sobre Shiva ou sobre Milarepa nada tinha em comum com os ensinamentos espirituais contidos na Philokalia... eu tive um momento de fraqueza quando pensei que estava perdendo minha mente por conta do jejum, mas eu pedi ajuda a Cristo e então consegui superar; verdade, eu era um yogi, mas eu não tinha desistido de Cristo. Além disso, a cada semana o mestre nos pedia para meditar com a consciência de Cristo... Então, de pé, em frente ao crucifixo, orava assim:

"Deus, eu recebi o batismo de água na infância e isso não me ajuda em nada. Me batize com fogo agora..."
 
Eu realmente pensava que Cristo iria me ajudar a progredir no caminho do yoga ...

Na Sexta Feira da Paixão, eu admirava o nascer do sol num parque meditando na frente de um grande crucifixo de pedra ... Apesar de eu não ir à igreja na Páscoa, preferindo a meditar em casa, minha relação com Cristo tornou-se muito mais poderosa após esse período de jejum.

No entanto, a minha relação com Cristo não me libertou de meu compromisso com as divindades hindus. Eu gostava de meditar com Kali, um dos poderes cósmicos, a deusa nacional do Tibete, retratada com uma corrente de crânios ao redor de seu pescoço, segurando uma faca numa mão e um crânio no outro, e com a língua cheia de sangue. Diz-se que ela é assustadora para todos aqueles que não a conhecem, mas muito próxima daqueles que adoram ela. Assim eu orava pra ela: "Oh, Kali, torne-me seu! Faça amor comigo. Venha para dentro de mim e me deixe entrar em você. Eu quero ser um só com você. Dá-me força para vencer a morte, dá-me força para dominar o tempo. Torne-me seu." Eu sentia Kali como uma mulher enorme, com poderes esmagadores. Eu me sentia ligado a ela, mas eu também me sentia ligado a Cristo. 

deusa Kali
Foi por isso que fiquei surpreso quando perguntei a Bivolaru depois de uma aula de ioga sobre a conexão entre Cristo e os poderes cósmicos (estávamos escrevendo nossas perguntas em pedaços de papéis e enviando para o mestre), ouvi a resposta:

"Que ligação? Não há conexão ... "

Se ele tivesse respondido: "Cristo é uma grande consciência que cuida de nosso planeta, enquanto Kali é um dos seres que mantêm o universo em existência e, embora Cristo não seja tão importante como Kali, eles estão familiarizados um com o outro" - eu teria acreditado nele. Mas ele disse que não havia nenhuma ligação entre Cristo e os poderes cósmicos, como se houvesse duas verdades paralelas, totalmente independentes uma da outra, e eu não podia aceitar isso. Foi a primeira vez que eu duvidava seriamente da sabedoria de meu mestre. Então eu perguntei-lhe, em voz alta, desta vez, qual o caminho de yoga era mais elevado, o caminho do ascetismo levado ao extremo, ou o caminho do tantra yoga, que envolvia uma vida sexual muito ativa. Sua resposta foi que cada indivíduo deveria escolher o caminho que mais lhe convinha, mas antes que ele me desse essa resposta, a maioria das pessoas na plateia explodiram em gargalhadas; a própria ideia de ascetismo sexual foi recebido como uma grande ironia...
 
Essas gargalhadas, assim como a resposta do mestre, me fez desejar encontrar a verdade em outro lugar...

Continua: [Parte 2]

texto retirado do blog http://www.johnsanidopoulos.com